Os sabores e aromas da safra de 2024 do vinho brasileiro serão conhecidos no dia 19 de outubro, na 32ª edição da Avaliação Nacional de Vinhos, promovida pela Associação Brasileira de Enologia (ABE). O evento será realizado no Parque de Eventos de Bento Gonçalves em Bento Gonçalves (Fundaparque). Nesta edição, foram inscritas 478 amostras de 67 vinícolas de oito estados brasileiros, sendo 411 do Rio Grande do Sul.
Segundo o presidente da ABE, o enólogo Ricardo Passarin, o evento promete reunir quase mil apreciadores para degustarem as amostras que evidenciam a representatividade da safra de 2024. Por isso, a ação é considerada também como a maior degustação de uma safra do mundo. Em visita ao Correio do Povo, ele destacou ainda que os vinhos deste ano serão marcados por equilíbrio e frescor.
“Em função das condições climáticas, essa foi uma safra em que tivemos uma produção menor por hectare. Automaticamente, tivemos uma concentração dos componentes da uva, tanto em termos de acidez como em termos aromáticos e de açúcar. Então teremos vinhos muito equilibrados, com frescor e com longevidade, desde brancos aromáticos a não aromáticos até vinhos tintos com potencial de guarda. Teremos uma diversidade muito grande”, relatou.
Passarin reforça ainda que a avaliação tem um caráter educativo, não sendo considerado um concurso. Uma equipe de 90 enólogos realizou um trabalho de degustação de seleção às cegas para avaliar as amostras. Destas, 16 foram selecionadas para serem degustadas simultaneamente pelos mais de 800 apreciadores de vinho que devem participar do evento.
“A avaliação serve como uma radiografia para o setor utilizar como análise de mercado. O importante é avaliar o nível de qualidade do vinho brasileiro. Por isso, convido todos que apreciam vinho para viver este momento conosco e brincar a qualidade da safra 2024. Esse é um evento de consagração do vinho brasileiro”, completou Passarin. Os ingressos para a Avaliação Nacional de Vinhos podem ser adquiridos pelo link.
Visita Ricardo Passarin, enólogo, presidente da Associação Brasileira de Enologia
Safra 2024 teve redução de volume por conta da chuva
O presidente da ABE também relatou o impacto registrado pelo setor em função do excesso de chuva registrado no RS nos últimos meses. Segundo Passarin, apesar da produção de 2024 não ter sido afetada diretamente pela catástrofe de maio, as grandes precipitações registradas entre setembro e novembro de 2023 refletiram em uma redução de volume da safra deste ano.
“As chuvas que aconteceram no ano passado fizeram com que a gente tivesse uma produção cerca de 35% a 40% menor no RS. Porém, com relação à qualidade, nós conseguimos contornar em função do manejo que se pratica nos vinhedos, o que não nos deixa mais tão sensíveis à questão climática. Então, embora menor, tivemos uma produção de qualidade. E, para 2025, nós temos a previsão de La Niña, com menos precipitação, que na viticultura é favorável para a maturação na produção de uvas”, finalizou.