Economia

Resiliência dos empresários impulsiona a economia do RS, diz presidente da Rede Unisuper

Rede Unisuper teve nove lojas atingidas pela enchente. A segunda unidade foi reaberta hoje no Humaitá

Sandro Formenton observa que a falta de benefícios pode colocar os empregos em risco
Sandro Formenton observa que a falta de benefícios pode colocar os empregos em risco Foto : Pedro Piegas

Após mais de 100 dias da enchente, os estabelecimentos comerciais de Porto Alegre ainda enfrentam grandes desafios para se reerguer. Muitos empresários têm dificuldades para reabrir seus espaços e manter os empregos, enquanto a população sente a falta de comércios, especialmente nos bairros.

O presidente da Rede Unisuper, Sandro Formenton revelou que o prejuízo da rede com a enchente de maio chega a cerca de R$ 90 milhões. Ele destaca que é a resiliência dos empresários que está impulsionando a economia, pois muitos, assim como ele, estão utilizando recursos próprios para a recuperação das operações.

"Foi civil cuidando de civil durante a enchente. E agora para os empresários não está sendo diferente. Os empresários estão se apegando com às suas equipes de trabalho, estão se apegando com seus fornecedores”, afirmou.

Formenton mencionou que não recebeu benefícios estaduais ou federais, assim como uma grande parte do empresariado com quem tem contato. Ele ainda alerta para o risco de desemprego devido ao fechamento de lojas. “Estamos usando as nossas forças para essas reaberturas. Precisaria de uma força extra. Mesmo com as lojas fechadas, nós conseguimos manter os 650 empregos em Canoas”, disse explicando que os funcionários estão em layoff (contratos de trabalho são suspensos) em acordo firmado com o Ministério do Trabalho. A Rede UniSuper conta, hoje, com mais de 1.600 funcionários que trabalham nas suas 22 lojas próprias e em 13 operações licenciadas localizadas em 12 cidades gaúchas.

Rede UniSuper retoma operações de supermercado no Humaitá | Foto: Pedro Piegas

Nove lojas foram atingidas pela enchente, além do Centro de Distribuição. Apenas duas unidades foram reabertas até agora: uma na Avenida Brasil e outra no bairro Humaitá, nesta quinta-feira. Em Canoas, onde há 13 lojas, sete foram afetadas. A previsão é que a primeira loja na região metropolitana reabra no dia 5 de setembro.

"O nosso negócio está muito focado nos bairros. Está diretamente ligado ao cliente do dia a dia. Clientes que vem duas a três vezes ao dia. Vimos hoje (com a reabertura da loja no Humaitá) que o cliente realmente estava necessitando. Muitas pessoas nos abordaram e agradeceram a reabertura”, contou.

Tatiana Fanfa e o marido Luis Carlos Mandicaju estiveram no primeiro dia de reabertura do Unisuper no bairro Humaitá. O casal estava feliz em poder voltar ao local e afirmou que esse momento faz parte do recomeço das suas vidas. “É o recomeço do bairro e da nossa história”, diz contando que teve que mudar de residência após as águas de maio, mas optou em permanecer no bairro.

Silvana Fontoura, moradora do Humaitá há sete anos, percebeu uma retomada recente no bairro. Ela relembra o período mais difícil da enchente, quando ficou sem contato com a família, sem conseguir dar notícias. Embora ainda exista o medo de um novo alagamento, Silvana acredita que é necessário seguir em frente e a retomada do comércio faz parte do recomeço.

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