Economia

Retração do PIB em 2016 passa para 2,67%, anuncia BC

Dólar deve encerrar 2015 em R$ 3,39

O Relatório de Mercado Focus pintou um quadro ainda mais negro para a atividade do País neste e no próximo ano. O documento divulgado na manhã desta segunda-feira, pelo Banco Central (BC), trouxe que a perspectiva de retração da
atividade do ano que vem passou de 2,31% para 2,67%. Há um mês, a mediana das projeções estava em -2,00%.

Para 2015, a perspectiva de contração do Produto Interno Bruto (PIB) saiu de 3,50% para 3,62% - um mês antes estava em queda de 3,10%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano. Uma nova edição desse documento será divulgada até o Natal.

De acordo com o Focus, a mediana das expectativas para a produção industrial de 2015 saiu de -7,60% para -7,70% (um mês antes estava em -7,40%). Para 2016, o tombo foi ainda maior: passou de -2,40% para -3,45%. Há quatro semanas, estava em -2,15%.

Já na relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB de 2015, a projeção dos analistas passou por um leve ajuste, saindo de 35,55% para 35,50% - quatro edições antes estava justamente em 35,50%. Para 2016, a taxa passou de 40,00% para 40,40% - um mês antes estava em 39,40%.

Superávit comercial

O Relatório Focus revelou manutenção das estimativas dos analistas para a balança comercial de 2015, em 15 bilhões de dólares. Quatro boletins atrás, estava em 14,95 bilhões de dólares. O ponto central da pesquisa de 2016 também ficou paralisado em 31,44 bilhões de dólares - quatro edições atrás do documento, estava em 30,55 bilhões de dólares.

Já as previsões de déficit para a conta corrente de 2015 sofreram ajuste, passando de 64,40 bilhões de dólares para 64 bilhões de dólares - um mês antes estava em 64,85 bilhões de dólares. Para 2016, a perspectiva de saldo negativo foi alterada de 39,68 bilhões de dólares para 39,52 bilhões de dólares - um mês antes estava em 40,95 bilhões de dólares.

Nos últimos meses, segundo participantes, os analistas tentam reestimar as projeções levando em consideração a mudança de metodologia da nota do setor externo, em abril. A mediana das previsões para o novo Investimento Direto no País (IDP) saiu de 62,60 bilhões de dólares para 62,40 bilhões de dólares para 2015. Um mês atrás, estava em 62,80 bilhões de dólares. Para 2016, caiu de 57 bilhões de dólares para 55 bilhões de dólares. Quatro semanas atrás, estava em 58 bilhões de dólares.

Selic

Após o duro discurso do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em São Paulo, na semana passada, as projeções do mercado financeiro para a taxa básica de juros subiram ainda mais. A expectativa agora é que a Selic encerre o ano que vem em 14,63% ao ano - o que demonstra uma divisão das projeções de 14,50% e 14,75% ao ano. A nova estimativa é bem mais alta do que a vista na semana passada, de 14,25% aa, que é o patamar atual dos juros domésticos.

Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do ano, o colegiado manteve a Selic inalterada, mas com dois votos dissidentes de alta (0,50 pp). Um próximo encontro está marcado para o dia 20 de janeiro.

IGP-DI

As previsões para o IGP-DI de 2015, que tinham passado da marca de 11% no Relatório Focus da semana passada, voltaram a cair no documento divulgado nesta segunda-feira. A mediana para o indicador deste ano recuou de 11,04% para 10,99% - um mês atrás estava em 10,54%. No caso do IGP-M de 2015, a taxa mediana subiu de 10,80% para 10,81%, bem acima da expectativa apresentada um mês atrás, que era 10,26%.

Para 2016, a previsão central da pesquisa Focus para o IGP-DI saiu de 6,17% para 6,14% - quatro semanas atrás, estava em 6,00%. Em relação ao IGP-M, o ponto central da pesquisa avançou de 6,43% para 6,48% - quatro edições anteriores estava em 6,19%.

A estimativa para o IPC-Fipe, que mede a inflação para as famílias de São Paulo, aumentou de 10,77% para 10,85% de uma semana para outra para o horizonte de 2015 - um mês antes, a mediana das projeções do mercado para o IPC era de 10,26%. Para 2016, no entanto, a expectativa foi mantida em 5,27% de uma semana para outra - estava em 5,12% um mês atrás.

Câmbio

A poucos dias para encerrar 2015, o mercado financeiro mudou um pouco sua estimativa para o comportamento do câmbio no fim deste ano. De acordo com o Relatório de Mercado Focus, a moeda deve chegar em 31 de dezembro comercializada a R$ 3,90, e não mais a R$ 3,95, como previsto na semana passada.

Um mês antes, a mediana das previsões estava em R$ 3,96. Apesar da mudança, o câmbio médio de 2015 permaneceu em R$ 3,39 pela quarta vez seguida.

Para o encerramento de 2016, a mediana das estimativas para o dólar seguiu em R$ 4,20 pela sétima semana seguida. Já o ponto central da pesquisa para a cotação média de 2016 caiu de R$ 4,10 para R$ 4,09 de uma semana para outra - um mês atrás, estava em R$ 4,08.

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