Economia

Reunião virtual do Brics: líderes reagem à ofensiva comercial de Trump

Encontro virtual reforçou vínculo entre países em meio a política tarifária dos EUA

O bloco representa quase metade da população mundial e 40% do PIB do planeta
O bloco representa quase metade da população mundial e 40% do PIB do planeta Foto : Ricardo Stuckert / PR / CP

Em uma reunião virtual, líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e dos novos membros do bloco (Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã) se uniram para rejeitar o protecionismo. A videoconferência, convocada pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, teve como objetivo demonstrar unidade frente à ofensiva comercial de Donald Trump, que impôs tarifas punitivas a produtos de diversos países do grupo.

A China, principal potência do Brics, foi uma das vozes mais firmes. O presidente chinês, Xi Jinping, instou o bloco a resistir a "qualquer forma de protecionismo", defendendo o sistema multilateral de comércio, com a Organização Mundial do Comércio (OMC) como eixo central. A postura chinesa reflete a tensão de longa data com os Estados Unidos, que se envolveram em uma acirrada guerra comercial com aumento mútuo de tarifas.

Lula critica "Chantagem Tarifária" e tensão com a Venezuela

O presidente Lula criticou a política tarifária de Trump, classificando-a como "chantagem tarifária", e afirmou que os países do Brics são "vítimas" de práticas comerciais "injustificadas e ilegais". A fala de Lula vem em um momento delicado, já que Trump impôs tarifas a produtos brasileiros, alegando uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Supremo Tribunal Federal (STF) irá decidir se Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado.

Além da guerra comercial, o discurso de Lula também abordou a escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela. O presidente brasileiro criticou a presença militar dos EUA no Mar do Caribe, descrevendo-a como um "fator de tensão incompatível com a vocação pacífica da região". A declaração foi feita após Washington acusar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de liderar um cartel de drogas e Trump anunciar a destruição de uma embarcação que supostamente pertencia a um grupo criminoso venezuelano.

Tensão Generalizada: Índia e África do Sul também reagem

A ofensiva de Trump não atingiu apenas o Brasil e a China. Washington castigou severamente a Índia por comprar petróleo da Rússia, impondo tarifas alfandegárias de 50% para produtos de ambos os países. Durante a videoconferência, o chanceler indiano, Subrahmanyam Jaishankar, criticou a vinculação de medidas comerciais a questões não comerciais.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, também se manifestou, alertando que o ambiente cada vez mais protecionista e as medidas tarifárias unilaterais representam "grandes dificuldades e perigos para os países do Sul Global".

A escalada de tensões entre Trump e o Brics não é recente. Em julho, durante uma cúpula no Rio de Janeiro, o ex-presidente americano já havia ameaçado impor novas tarifas a qualquer país que se aliar ao bloco.

Futuro do Brics e eventos globais

Na reunião, os líderes do Brics também coordenaram sua participação em eventos globais de 2025, como a Assembleia Geral da ONU, a conferência climática COP30 em Belém, no Pará, e a cúpula do G20 na África do Sul, para a qual Trump já anunciou que não comparecerá.

O bloco, que representa quase metade da população mundial e 40% do PIB do planeta, foi expandido recentemente para incluir Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A expansão visa fortalecer ainda mais o chamado "Sul Global".

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