Economia

RS é líder em densidade cervejeira

Estado tem uma unidade para cada 32 mil habitantes, apesar dos fechamentos pelas cheias

Houve alta de 4,2% no número de estabelecimentos no Rio Grande do Sul
Houve alta de 4,2% no número de estabelecimentos no Rio Grande do Sul Foto : Luiz Gewehr/Arquivo Pessoal/CP

O Brasil tem 1.949 cervejarias e 55.015 marcas registradas. Neste cenário, o Rio Grande do Sul mantém a liderança em densidade de fábricas e segue como o segundo maior polo do setor no país. O Estado tem um estabelecimento para cada 32.177 habitantes, enquanto a média nacional é de um para cada 109.073 habitantes. Os dados são do Anuário da Cerveja 2025 - ano referência 2024, lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapas) em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

Atualmente, 790 municípios brasileiros possuem pelo menos uma fábrica registrada. O Rio Grande do Sul conta com 17 municípios entre os 25 de maior densidade cervejeira, com destaque para Linha Nova, com uma cervejaria para cada 860 habitantes. São duas unidades para 1.720 pessoas.

No contexto nacional, Porto Alegre é a segunda cidade com o maior número absoluto (43), ficando atrás apenas de São Paulo (66). Para o conselheiro da Associação Gaúcha de Microcervejarias Filipe Bortolini, os números destacam a cultura cervejeira forte. “O Rio Grande do Sul se destacou no setor desde quando começaram a aparecer as cervejarias artesanais aqui no Brasil. Antes também era muito restrito o acesso das microcervejarias aos insumos, então acabaram surgindo fornecedores aqui do Estado que auxiliaram o pessoal para iniciarem seus negócios”, explica.

Consequências das enchentes

Embora tenha números positivos, o RS registrou a maior quantidade de cancelamentos e vencimentos de registros, com 32 ocorrências, o que representa 28,8% de tudo que foi verificado no país. Apesar disso, o Estado ainda encerrou 2024 com crescimento de 4,2% no número de estabelecimentos, o que representa 14 cervejarias a mais em relação ao ano anterior, saltando de 335 em 2023 para 349 no ano passado.

“As cervejarias sofreram bastante no período, porque a maioria estava concentrada em bairros que ficaram entre os mais afetados. Os estabelecimentos ficaram mais de um mês embaixo d’água”, relata Bortolini. Segundo ele, os empresários ainda precisaram lidar com perda de estoque e danos aos equipamentos.

Disputa com grandes indústrias é entrave

A Cervejaria Gewehr, localizada no bairro Anchieta, um dos afetados pelas inundações, está entre as que resistiram após a tragédia. Administrado há 10 anos pelo proprietário Luiz Gewehr, o empreendimento fornece para bares e restaurantes e trabalha com a venda direta para clientes, com fornecimento e instalação de chopeiras em eventos. “A enchente foi um funil que selecionou uma quantidade de empresas que sobreviveram”, pondera.

O empreendedor destaca que uma das maiores dificuldades para as microcervejarias ainda é ganhar espaço entre as grandes indústrias. “O que a gente está tentando fazer agora é sacudir a água e tentar remodelar algumas ações que estavam sendo desenvolvidas ano passado.”

Em março de 2024, a Associação Gaúcha das Microcervejarias, em parceria com a prefeitura de Porto Alegre, lançou a Rota Oficial do Polo Cervejeiro, para realizar passeios percorrendo as cervejarias, buscando fomentar o desenvolvimento econômico do setor. Depois de a iniciativa ter sido inviabilizada pela enchente, o setor busca retomar o projeto ainda este ano.

Bebidas sem álcool ganham espaço

As cervejas sem álcool ou desalcoolizadas (aquelas com teor alcoólico igual ou inferior a 0,5%) vêm ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro, segundo o levantamento do Mapa. No ano passado, a produção desse tipo de bebida apresentou um crescimento expressivo de 536,9%, passando a representar 4,9% de toda a produção nacional.

Para os pesquisadores do estudo, uma explicação para o avanço desse segmento nas cervejarias acompanha uma tendência de consumo mais equilibrado e consciente. Além das versões de bebidas sem álcool, o setor também inclui as cervejas de baixo teor alcoólico, com até 2%, e as bebidas convencionais, que podem chegar a 54% de graduação alcoólica.

Especificidades regionais no país

O estado com maior número de cervejas registradas segue sendo São Paulo, com 12.803. São Paulo também detém a média mais elevada de rótulos, com 30 produtos por estabelecimento. O Espírito Santo foi a unidade federativa que teve o maior aumento no número, que passou de 1.221 para 1.434 no último ano, alta de 213 registros.

Houve a inclusão de 102 novos estabelecimentos em 2024 no Brasil, um crescimento de 5,5% em relação ao ano de 2023. Este é o nono maior crescimento da série histórica. Santa Catarina foi o estado com maior elevação.

*Sob supervisão da jornalista Karina Reif.

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