Economia

RS perde espaço nas exportações brasileiras, aponta FEE

Esgotamento agrícola e concorrência externa estão entre os fatores da queda

A vocação exportadora do Rio Grande do Sul vem perdendo espaço considerável nos últimos 20 anos. Em 1992, o Estado era o responsável por 12,1% das exportações nacionais, e no ano passado ficou com apenas 7,6%. Segundo o levantamento realizado pelo economista Álvaro Antônio Garcia e que consta na Carta de Conjuntura da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Estado, há três fatores – dois já consolidados e um em processo – que justificam essa queda. O primeiro seria o esgotamento na questão agrícola. Outras regiões do país estão começando a despontar na produção agrícola, como a região dos Cerrados, conhecida como Matopiba, no Nordeste do país, onde a produção de soja está crescendo aceleradamente.

Outro fator diz respeito à concorrência massacrante de outros países, como no caso da diminuição do volume das exportações de calçados, que lideravam no Estado na década de 80. Essa redução ocorreu porque o RS perdeu condições de concorrer. Alguns países têm mão de obra mais barata. “O RS perdeu muito espaço por não poder concorrer e dificilmente conseguirá recuperá-lo, já que não tem como reduzir demais o custo da mão de obra”, explicou.

O terceiro ponto, ainda em consolidação, é o investimento de outros países nas suas produções locais. Garcia cita o setor metal mecânico: "O Estado era grande exportador de maquinário agrícola para a Argentina. Porém, nos últimos anos, as medidas de defesa comercial do país vizinho afetaram diretamente o Rio Grande do Sul". Para compensar esse movimento, o Estado tem buscado novos mercados, em especial o da África, tido como promissor, e países da América Latina. “Com essa série de fatores, o Estado parece voltar-se mais ao mercado doméstico”, avaliou o economista.

Outro tema abordado na carta de conjuntura foi a influência das práticas de especulação no comércio internacional de commodities. Segundo a economista Clarissa Black, a  alta dos preços não é compatível com o aumento na demanda. “O que se pode ver, com a análise da última década, é que os preços agregados aos produtos foram multiplicados por três e que a única redução ocorreu durante a crise internacional. Isso é o reflexo direto do dinamismo do mercado especulativo."

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