Economia

Saiba por que o gás de cozinha não deve sofrer fortes reajustes mesmo com guerra no Oriente Médio

Presidente do Singasul aponta Gás do Povo, cotas estáveis e grande concorrência como fatores preponderantes

A criação de um subsídio para o gás de cozinha deve dar margem para que a Petrobras alinhe seus preços de venda às cotações do mercado global
A criação de um subsídio para o gás de cozinha deve dar margem para que a Petrobras alinhe seus preços de venda às cotações do mercado global Foto : Camila Cunha/ CP Memória

Não há riscos de aumento forte no preço do gás de cozinha no Rio Grande do Sul, mesmo diante da pressão gerada pela guerra no Oriente Médio, que fez explodir os preços do petróleo em todo o mundo, disse o presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras, Comercializadoras e Revendedoras de Gases em Geral no RS (Singasul), Ronaldo Tonet.

Para ele, não faz sentido o governo federal subsidiar o diesel, bancar o programa Gás do Povo, que entrega botijões de graça para 15 milhões de famílias de baixa renda, e, ao mesmo tempo, permitir uma majoração do gás liquefeito de petróleo (GLP) para a população em geral. Na última terça-feira, a Petrobras promoveu um leilão de 70 mil toneladas do GLP, com ágio, ou seja, preços maiores do que o efetivamente cobrados em tabela própria, de até 100%, de maneira a adequar os preços ao mercado internacional.

No fim, o montante foi adquirido por somente uma distribuidora. Porém, embora as empresas do segmento tenham pressionado para um eventual aumento do gás a partir deste valor do ágio, isto causou um efeito negativo na Petrobras, com o afastamento de um executivo responsável. Inclusive o próprio presidente Lula classificou o certame como “cretinice” e “bandidagem”, em entrevista à TV Record da Bahia, e dizendo que vai anulá-lo.

“Não acredito em nenhuma destas especulações. Isto me parece um balão de ensaio para justificar algum aumento injustificável”, disse Tonet. Ainda conforme o presidente do Singasul, o que poderia disparar um aumento é menos a guerra no Oriente Médio, ao contrário do que há na gasolina e no diesel, e mais a logística, com os custos dos combustíveis usados para o transporte e tele-entrega do GLP. Há uma concorrência massiva também no setor, o que ajuda na margem de negociação entre a revenda e o consumidor final, fazendo com que os preços não subam muito a partir de um determinado padrão.

A reportagem entrou em contato com três revendedores de Porto Alegre para obter informações sobre o preço do GLP de 13 quilos, utilizado em residências. No Menino Deus, o preço informado foi de R$ 140,00 para entrega à domicílio e R$ 128,00 na busca no local. O representante disse que o último aumento havia ocorrido no ano passado, sem reflexos imediatos agora. No bairro Cristo Redentor, outro comércio disse que os preços eram de R$ 125,00 na tele-entrega e R$ 135,00 buscando no local.

Houve um aumento em março, segundo o representante deste estabelecimento, e possibilidade de negociação direta, caso o consumidor encontrasse o botijão mais barato em outro lugar. No bairro Camaquã, o recipiente de 13 quilos custava R$ 135,00 na tele-entrega e R$ 121,00 na busca direta, também sem aumentos imediatos.

Em Porto Alegre, o preço médio de revenda do GLP de 13 quilos, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foi de R$ 115,98 na semana entre 22 e 28 de março, mesmo preço dos sete dias anteriores. Ainda, outro fator que não deve elevar os valores é, nas palavras de Tonet, uma estabilidade nas cotas do GLP das distribuidoras, cuja maioria não precisou comprar gás extra no último leilão, já que elas ajustam suas cotas trimestrais de forma ajustada para evitar penalidades e custos extras de armazenagem na Petrobras.

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