Das obras, apenas uma está em andamento e com 90% da sua estrutura física concluída. É a do Instrument Landing System (ILS II). Sua casa de força está pronta e sete das nove torres de iluminação do Auxiliary Light System (ALS), já foram concluídas, a exemplo das luzes do eixo da pista, segundo informa o superintendente do aeroporto, Carlos Alberto da Silva Souza.
Quando entrar em operação, o ILS II permitirá pousos e decolagens de aeronaves com 400 metros de visibilidade horizontal e 30 metros de visibilidade vertical. Hoje os limites são de 800 metros e 60 metros. É um investimento de R$ 70 milhões. “Haverá ganho operacional de 50% ao aeroporto”, resume Souza. “Se a visibilidade ficar abaixo dos novos parâmetros, paralisa tudo, são as normas da aviação”, lembrou.
No cronograma da primeira fase de expansão da estação de passageiros, empreendimento orçado hoje em R$ 181 milhões, a empresa vencedora da licitação, Espaço Aberto, começará a obra quando firmar, junto aos bancos, o contrato do seguro da obra. Esse processo não deve demorar muito tempo, mas “é exigência da legislação”, explicou o superintendente.
Em termos físicos, a ampliação corresponderá a mais 23 mil metros quadrados de área construída. Garantirá movimentação de mais 3 milhões a 4 milhões de passageiros por ano e deixará o espaço total do terminal com 60 mil metros quadrados. A média atual de circulação é de 8 milhões de passageiros ao ano. No sentido geográfico das obras elas ocorrerão “no lado esquerdo de quem sai do aeroporto” orienta Souza. O prazo de conclusão, estimado para ocorrer antes da etapa dos jogos da Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre, embora pareça, não é curto, na avaliação do superintendente. Ele observa: “Trata-se de uma construção moderna, toda feita por sistemas de módulos”.
Dúvidas pairam sobre a nova pista
Até dezembro a obra da ampliação dos 2.280 metros atuais da pista do aeroporto em 930 metros será lançada. “Os editais estarão prontos”, projeta o superintendente Carlos Souza. Voos de longa distância sem escalas serão possíveis. Grandes aviões, de passageiros e de cargas, poderão decolar com ocupação total, porão e tanque de combustível cheios. Mais peso exige mais pista. Já foram concluídas as transferências de moradores do entorno. O prazo da obra é de 18 a 24 meses. “Será feita só nas madrugadas devido às operações”, diz Souza.
A custos de hoje a ampliação exigiria R$ 230 milhões, porém, se os recursos faltarem, “o PAC fará a complementação, isso já está decidido”, informa o superintendente. Conforme Souza, há outros investimentos em execução no Aeroporto Salgado Filho. São os casos, por exemplo, de reformas nos banheiros, nova sala de desembarque e mais uma esteira (são três hoje) para deslocamento de bagagens. Essas modificações serão finalizadas em novembro, assegura. Em seu conjunto, os investimentos há vários anos são reclamados por passageiros e empresas.
Coordenador do Conselho de Infraestrutura da Fiergs, Ricardo Portella Nunes não põe em dúvida prazos anunciados de início e término da agenda de obras, só não consegue abandonar seu ceticismo. O novo terminal entrou em operação em setembro de 2001, “mas esperamos o fim desses gargalos há uma década. Sempre vem alguma coisa contra: ou do Patrimônio Histórico, ou do Ministério Público, ou do Tribunal de Contas, ou dos ambientalistas e sempre voltamos ao marco zero. Só na estreita BR 116 os gaúchos perdem R$ 5 milhões por dia”, assinalou.