O plano de ajuste, aprovado por 156 votos a favor, 12 contrários e uma abstenção, inclui a venda de ativos públicos, a reforma do sistema previdenciário, a privatização de empresas públicas e a simplificação da administração pública. O projeto também fixa medidas para estimular o emprego e o aumento do crescimento econômico, quase nulo nos últimos anos.
Os senadores do Partido Democrático (PD), o maior de esquerda, junto com os moderados reunidos no "Terceiro Polo", optaram pela abstenção como gesto de responsabilidade. O pacote de medidas não inclui uma reforma dos contratos de trabalho para facilitar as demissões, que havia sido criticada pelos sindicatos. Contudo, prevê o corte de gastos públicos, a reforma do sistema previdenciário, a privatização de empresas públicas e a simplificação da administração pública. Fixa medidas para estimular o emprego e o crescimento econômico, quase nulo nos últimos anos, com o objetivo de reduzir a colossal dívida pública de 1,9 trilhão de euros (120% do PIB).
A Bolsa de Milão festejou a aprovação das medidas e, até o início desta tarde subiu 3%. As obrigações da dívida italiana para os 10 próximos anos ficaram abaixo dos 5% nesta sexta-feira, após alcançar nesta semana o insustentável nível de 7%.
Com a provável nomeação de Monti, que conta com o apoio da maioria dos setores políticos, a Itália espera reconquistar a credibilidade dos mercados para evitar a quebra, graças a uma transição ordenada e aprovada em tempo recorde.
A Itália segue o exemplo da Grécia. O economista Lucas Papademos, ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), jurou nesta sexta-feira, já no cargo de primeiro-ministro grego, trabalhar pela unidade nacional para afastar a grave crise que atinge o país e ameaça toda a Eurozona. Papademos manterá como ministro das Finanças o socialista Evangelos Venizelos. O novo gabinete é composto por socialistas, liberais e, pela primeira vez desde o fim da ditadura dos coronéis em 1974, por ultra-direististas.
O Parlamento português também iniciou nesta sexta-feira a votação, em primeira instância, do plano para 2012 com novas medidas de austeridade, mais draconianas que as recomendadas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI), apesar do descontentamento social. Grécia, Portugal e Irlanda são os três países da Eurozona que pediram ajuda aos programas de resgate para evitar o default.
A Itália, por sua vez, teve que acelerar o processo para aprovar o pacote de medidas exigidas pela UE, diante do risco da crise derrubar este país, que é a terceira economia da Eurozona. A UE exigiu na quinta-feira que a França aumente os planos de austeridade para reduzir seu déficit. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, prometeu nesta sexta-feira defender a Europa com "todas as suas forças" e disse que é fundamental "encarrilhar de novo" a Grécia e a Itália.
O diretor do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), Klaus Regling, exigiu que a Itália aplique rapidamente as medidas adotadas. A "Itália não tem mais tempo para tranquilizar os mercados", afirmou.
A situação na Eurozona preocupa outras regiões. "A crise na Europa continua sendo o principal desafio para o crescimento global. É crucial que a Europa se mova rápido para aplicar um plano forte e restaurar a estabilidade financeira", afirmou o secretário americano do Tesouro, Tim Geithner, em uma reunião entre os ministros do Fórum de Cooperação Ásia-Pacífico (APEC) no Hawai.
Para enfrentar a crise, na liderança de um país que não cresce há uma década, Monti espera contar com um gabinete composto, sobretudo, por técnicos e também por políticos, de todos os setores, que precisam trabalhar firme já na segunda-feira.
Entre os nomes previstos para compor o novo governo, está o do atual chanceler Franco Frattini, apesar de seu partido, o Povo da Liberdade, fundado por Berlusconi, pedir a realização de eleições antecipadas e não confirmar se apoiará Monti.