Caso ocorresse, o primeiro e maior calote da história americana poderia colocar em xeque a recuperação econômica do país e carregar outros países para a crise. Ontem, o projeto foi aprovado na Câmara dos Representantes, o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil, com 269 votos a favor e 161 contrários. A vitória no Senado estava praticamente assegurada, já que o partido do presidente Barack Obama, os democratas, tinha maioria na Casa.
O projeto eleva o teto da dívida dos EUA, atualmente em US$ 14,29 trilhões, e promove um corte no déficit do Orçamento de pelo menos US$ 2,1 trilhões na próxima década. O texto é uma importante vitória para os republicanos que pressionam pela redução do tamanho do governo.
Com a votação, o Senado conclui uma intensa disputa política que dominou a agenda do presidente norte-americano, dos líderes do Congresso e dos lobista de Washington por semanas. Os congressistas republicanos se opunham ao plano porque não abordava o déficit federal, enquanto os democratas contrários ao projeto alegavam que o mesmo reduziria programas federais que financiam a educação e programas de ajuda para os mais pobres e idosos. Pelo acordo, o teto da dívida será elevado em cerca de US$ 2,4 trilhões em três etapas, se as condições forem atendidas.
Por aqui, uma nova crise criada por essa moratória bateria em duas frentes: nas contas do governo brasileiro e nas vendas de produtos para outros países. Se o limite da dívida não fosse alterado, haveria um calote e os títulos perderiam sua liquidez, isto é, não poderiam ser trocados por dinheiro vivo caso os donos desses papéis precisassem. E isso afeta diretamente a confiança dos mercados, segundo o economista Evaldo Alves, professor de economia internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV).
"Todo esse esforço é para eles não submergirem. O importante para o Brasil é o seguinte: temos uma ligação com os EUA porque exportamos para eles. Somos o nono parceiro dos EUA, com exportações de US$ 78 bilhões em matérias-primas. Se economia naufraga, cairíamos também, porque o Brasil tem sua economia externa baseada na venda de commodities (matérias-primas básicas)", disse Alves.