Economia

Serviços têm 2ª alta seguida e recupera nível pré-pandemia, aponta IBGE

Avanço de 1,2% fez segmento superar em 0,2% o patamar em que se encontrava antes das medidas de isolamento

Empresas não poderão ligar para cientes incluídos na lista "Não Perturbe"
Empresas não poderão ligar para cientes incluídos na lista "Não Perturbe" Foto : GUILHERME TESTA / CP Memória

O setor de serviços engatou a segunda alta consecutiva ao crescer 1,2% em maio, na comparação com abril, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) faz o setor recuperar o patamar de fevereiro do ano passado, último mês sem os efeitos da pandemia do novo coronavírus na economia nacional.

A retomada do nível pré-pandemia no setor que mais contribui para as riquezas nacionais havia sido atingido no mês de fevereiro, mas acabou logo revertido com a queda de 3,1% do segmento em março, mês marcado pelo recrudescimento da segunda onda da pandemia, o que ainda não foi recuperado.

“O setor vinha mostrando boa recuperação, mas, em março, com um novo agravamento do número de casos de Covid-19, governadores e prefeitos de diversos locais do País voltaram a adotar medidas mais restritivas, afetando o funcionamento das empresas de serviços. Em abril e maio essas medidas começam a ser relaxadas e o setor volta a crescer”, aponta o gerente responsável pela pesquisa, Rodrigo Lobo. 

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume de serviços teve crescimento de 23%. Trata-se da terceira taxa positiva seguida e a mais intensa da série histórica iniciada em janeiro de 2012.

"A magnitude de crescimento do volume de serviços no mês é explicada, sobretudo, pela baixa base de comparação, já que o setor de serviços havia recuado 19,3% em maio de 2020, pois ainda estavam vigentes muitas medidas sanitárias que reduziam a mobilidade da população e restringiam o funcionamento dos estabelecimentos considerados não essenciais”, ressalta Lobo.

Com os resultados recentes, o setor de serviços ainda se encontra 11,3% abaixo do recorde histórico, alcançado em novembro de 2014. No ano, o setor acumula alta de 7,3% e nos últimos 12 meses registra queda de 2,2%.

Atividades

Dos cinco ramos de atividades consideradas pela pesquisa, três tiveram crescimento em maio na comparação com o mês de abril, com maior destaque para o segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que avançou 3,7% no período.

“A expansão nos transportes tem muito a ver com a queda no preço das passagens aéreas, além do aumento da demanda por esse serviço. O transporte aéreo cresceu 60,7% em maio. Além disso, o segmento de armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (3,6%), que também compõe a atividade, continua em ascensão", analisa Lobo.

Outro dado positivo ficou por conta dos serviços prestados às famílias (+17,9%), que apresentaram a maior alta dentre todas as atividades investigados. O segmento, no entanto, segue 29,1% abaixo do registrado antes da pandemia.

As atividades de serviços profissionais, administrativos e complementares, que teve alta de 1% em maio, também não se recuperaram ainda e seguem 2,7% abaixo do nível em que se encontrava em fevereiro de 2020.

Os serviços de informação e comunicação e de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio e outros serviços aparecem, respectivamente, 6,4%, 4,7% e 3,3% acima do volume registrado no período pré-pandemia do novo coronavírus.

A pesquisa mostra ainda que o índice de atividades turísticas cresceu pelo segundo mês seguido com a alta de 18,2% na comparação com abril. O segmento, no entanto, segue 53,1% abaixo do nível de fevereiro de 2020. "Esse avanço recente recupera boa parte da queda de 26,5% observada em março, que foi um mês com maior número de limitações ao funcionamento de determinados estabelecimentos", destaca o pesquisador.

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