Economia

Setor de produtos de metal deve ser o mais afetado nas exportações da indústria do RS com o tarifaço de Trump

Parceiro comercial no Brasil, os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações gaúchas

Metal tem dependência de 45,9% de exportação aos EUA
Metal tem dependência de 45,9% de exportação aos EUA Foto : Jorgito Santos / WS Tecon Rio Grande / CP

Parceiro comercial no Brasil, os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações gaúchas e o terceiro país nas importações do Rio Grande do Sul. Diante da decisão de imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente Donald Trump, a partir de 1º de agosto, alguns setores podem ser mais afetados – entre eles, o de produtos de metal, que 45,9% da exportação ao mundo vai para os EUA.

Luciano D'Andrea, gerente de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), ao Correio do Povo reforçou que, entre janeiro e junho deste ano, 10,2% de tudo que o Rio Grande do Sul exportou foi para os EUA. “Os Estados Unidos são muito importantes para o Brasil, e também para o Rio Grande do Sul, que é um estado com indústria de exportação internacionalizada”, afirma.

A parceria entre os países também é importante para as importações – tanto de produtos acabados quanto de matérias primas para produção. Nas importações, os Estados Unidos são a terceira origem depois da Argentina e China, tomando 13,3% do que importa.

Os principais setores da indústria que exportam aos Estados Unidos e que poderão ser afetados estão no de tabaco, armas, calçados, celulose, veículos, máquinas e aparelhos elétricos, madeira, borracha, alumínio, ferro e aço. Os mais expostos a essa medida são os de metal – que seriam armas, ferramentas, cutelaria, transformadores e produtos importantes na área de produtos de metal e siderurgia. Só de armas e munições, são 85% de dependência americana. Em seguida, vêm os minerais não metálicos, vidro, tijolo, gesso, e outros produtos não minerais não metálicos, como máquinas, materiais elétricos e madeira. Com impacto mais intermediário, envolve o couro e o conglomerado de calçados, com 19,4% de exportação, móveis e veículos automotores.

O calçado de couro, que tem uma dependência de 47,5%, é um setor altamente empregador, lembra Leandro. "Estão afetados, porque teriam que entrar em um outro detalhamento para ver quanto que o mercado americano poderia eventualmente impactar na parte de empregabilidade", diz. Nas autopeças, os freios têm uma dependência de 53,1%. Logo após, as peças de motor, com 41,8%. Os móveis e madeira também estão entre as maiores taxas.

Apesar de não conseguir mensurar empresas com funcionários vinculados à operação nos Estados Unidos, Luciano ressalta que há muitas empresas no Rio Grande do Sul que são altamente exportadoras e em especial para o mercado norte-americano.

“Hoje, a indústria de transformação total do Rio Grande do Sul tem cerca de 700 mil trabalhadores no geral. Fazendo uma analogia dos setores mais impactados, aqueles que têm uma dependência nas exportações acima de 10%, temos ramos com alta empregabilidade, que somam 145 mil empregos, o que representa 21,2% do total da indústria de Transformação do Rio Grande do Sul”, afirma Luciano.

Fiergs espera diálogo diplomático

O presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, defendeu, nesta terça-feira, “negociação e mediação” como o principal caminho diante de medidas comerciais prometidas pelos EUA contra o Brasil. Segundo o presidente, a mudança deve afetar diretamente a competitividade do setor industrial. “A importância dos Estados Unidos é gigantesca para nós. Exportamos muito fumo, madeira, calçados, celulose. Essas tarifas nos atingem diretamente. Por isso, nossa posição é pela mediação para a solução do impasse comercial”, destaca Bier.

O Sistema Fiergs informou, em nota, que “não há fato econômico que justifique a elevação das tarifas”, que ameaça a competitividade das aproximadamente 10 mil empresas brasileiras que exportam para os EUA, e lembra que a balança comercial entre os dois países é superavitária para o lado norte-americano há muitos anos. Na visão de Bier, se mantida, a mudança ameaça empregos e a operação de muitas indústrias. “Acredito que o presidente Trump não venha a exercer esses 50% anunciados. Em casos parecidos com outros países, ele acabou negociando. Por isso, o caminho é a mediação, a conciliação”, pontua Bier.

O presidente afirmou estar em contato com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e dirigentes das demais federações industriais em favor de uma negociação. “Temos de intermediar essa relação, porque se ficar como está, será muito ruim para todo o Brasil, para todas as indústrias e para todo o comércio. É hora de ter calma e negociar, com toda a força da indústria brasileira unida, para superarmos o impasse que está criado”, reforça.

Luciano espera um diálogo diplomático para pensar em soluções para os problemas nas taxações “Neste momento, ainda é muito cedo para criar cenários, porque vindo do presidente dos Estados Unidos, como a gente já viu desde que ele entrou na presidência, diversas medidas, não só para o Brasil, mas para diversos países foram aplicadas, geraram todas essas surpresas. Ele voltou atrás em boa parte delas, então também há uma expectativa de que possa ser revertido. Ainda temos quase um mês para negociações. Mas enquanto isso acontece em nível governamental, os setores industriais estão muito apreensivos”, afirma.

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A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também defendeu que medida poderá gerar impactos "relevantes" nas relações comerciais entre dois países historicamente próximos. "Os EUA, principal investidor estrangeiro em nosso País, tem presença expressiva em diversos setores da economia. Da mesma forma, o Brasil representa um importante parceiro regional para os interesses norte-americanos na América Latina", informou a associação em nota.

"A associação reitera a importância de preservar esse relacionamento histórico e de buscar, por meio do diálogo, o entendimento entre as duas nações. Medidas unilaterais e intempestivas não servem aos interesses dos brasileiros ou dos estadunidenses, que compartilham valores democráticos, forte intercâmbio comercial e cultural, e aspirações comuns de desenvolvimento econômico e social", completou.

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