Economia

Setor portuário na rota dos leilões

Ocupação de áreas estratégicas e ampliação da capacidade logística devem redefinir o segmento no Estado

Desempenho nos terminais reforça papel estratégico da infraestrutura na competitividade
Desempenho nos terminais reforça papel estratégico da infraestrutura na competitividade Foto : Rodrigo Felix Leal/SEIL/CP

Antes que os números apareçam nas planilhas e os navios sejam convertidos em estatísticas, o sistema portuário do Rio Grande do Sul se revela no movimento contínuo do cais. É no som metálico das amarras, no avanço silencioso das embarcações pelo canal e no vaivém de cargas que o Estado escoa parte significativa de sua produção e recebe insumos que sustentam a indústria.

Em 2025 esse movimento atingiu um marco histórico. O sistema encerrou o ano com recordes de movimentação e entra em 2026 diante de uma agenda decisiva de leilões e concessões que deve redefinir a ocupação de áreas estratégicas e ampliar a capacidade logística do Estado. Complexos portuários do Estado avançam em investimentos técnicos, planejamento de longo prazo e preparação de novas áreas para concessão e leilão.

O desempenho do sistema portuário do RS em 2025 reforçou o papel estratégico da infraestrutura logística na competitividade da economia gaúcha. O conjunto formado pelos portos públicos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, somado aos terminais privados e áreas concedidas, alcançou 46,09 milhões de toneladas movimentadas no ano, o maior volume da série histórica. O resultado ocorre em um contexto de retomada econômica após a calamidade climática de 2024 e projeta novo ciclo de investimentos, tendo como principal marco a previsão de leilões e concessões portuárias para este ano.

Produção

De acordo com Fernando Estima, gerente de Planejamento e Desenvolvimento da Portos RS, a atuação da estatal está conectada ao planejamento nacional do setor. "A nossa missão principal é gerar competitividade logística para os produtos gaúchos, tanto para aquilo que exportamos quanto para os insumos que importamos e utilizamos na produção local", afirma.

Segundo ele, a Portos RS, como empresa pública estadual, atua em sintonia com o Plano Estadual de Logística e Transportes (Pelt) e com o Plano Nacional de Logística, buscando alinhar infraestrutura, mercado e desenvolvimento econômico. O chamado complexo portuário gaúcho é estruturado de forma integrada. São três portos públicos: Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Estes somam 22 terminais de uso privado e nove áreas concedidas à iniciativa privada. Essa configuração permite atender diferentes perfis de carga e cadeias produtivas."Não se trata apenas de um porto isolado, mas de um complexo portuário com terminais especializados que dependem de um mesmo canal de acesso e de uma mesma infraestrutura de suporte", explica Estima.

Movimentação

O Porto do Rio Grande concentra a maior parte da movimentação. Em 2025 foram 44,5 milhões de toneladas, alta de quase 3% ante 2024. Pelotas apurou 1,27 milhão de toneladas e alta superior a 10% no comparativo anual. Porto Alegre somou 320,8 mil toneladas.

Para Estima, os números refletem não só mais produção, mas ganho operacional e técnico. "Quem bate recorde é quem produz. O porto viabiliza a logística, mas o resultado vem do produtor rural, da indústria e de toda a cadeia que movimenta essas cargas", pontua.

Entre fatores técnicos do desempenho, a profundidade do canal de acesso é um dos mais relevantes. O canal do Porto do Rio Grande opera com 16,7 metros de profundidade, o que permite navios de até 15 metros de calado. Além de dragagem e manutenção do calado, o sistema tem sinalização náutica, boias, monitoramento por radar e controle de tráfego aquaviário.

Diversidade de cargas como marca

A diversidade de cargas marca o setor portuário no RS. Em 2025 os granéis sólidos responderam por 58% da movimentação, seguidos por carga geral e granéis líquidos. Houve avanço em itens como soja, farelo de soja, celulose, carnes e contêineres. A movimentação de contêineres superou 1 milhão de unidades no Porto do Rio Grande.

O novo ciclo de leilões vai envolver Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Entre as áreas previstas estão terminais voltados a granéis líquidos, áreas brownfield (revitalização de terminais antigos) e projetos associados à tancagem e logística de combustíveis e químicos.

Estima lembra que a definição da nova concessão da Malha Sul ferroviária e o futuro das concessões rodoviárias são decisivos para a eficiência logística. "O porto depende de ferrovia, rodovia e hidrovia. Se esses sistemas não funcionam de forma integrada, a competitividade se perde", conclui.

*Sob supervisão da jornalista Simone Schmidt

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