Economia

Setores debatem falta de auxílios ao RS após 100 dias da enchente

Protesto com faixas pretas alusivas ao luto dos “100 dias sem auxílios” está previsto para a próxima sexta-feira

Tá na Mesa debate o tema "100 dias da tragédia sem auxílios" | E/D: Marcos Odorico Oderich, Presidente do Conselho de Administração da Conservas Oderich; Lourenço Caneppele, Produtor Rural de Roca Sales; Gilberto Antônio Piccinini, Presidente do Conselho de Administração da Dália Alimentos; Edemir Simonetti, Sócio do 360 Gastro Bar; e Carlos Pereira, Sócio e Diretor Comercial da Top 3
Tá na Mesa debate o tema "100 dias da tragédia sem auxílios" | E/D: Marcos Odorico Oderich, Presidente do Conselho de Administração da Conservas Oderich; Lourenço Caneppele, Produtor Rural de Roca Sales; Gilberto Antônio Piccinini, Presidente do Conselho de Administração da Dália Alimentos; Edemir Simonetti, Sócio do 360 Gastro Bar; e Carlos Pereira, Sócio e Diretor Comercial da Top 3 Foto : Camila Cunha

Representantes de diferentes setores econômicos do Rio Grande do Sul afetados pelo evento meteorológico de maio participaram da reunião-almoço "Tá na Mesa", promovida pela Federasul nesta quarta-feira. Estiveram presentes Carlos Pereira, sócio e diretor da distribuidora Top 3; Edemir Simonetti, sócio do 360 Gastro Bar; Antonio Carlos Piccinini, presidente do conselho de administração da Dália Alimentos; Lourenço Caneppele, produtor rural; e Marcos Odorico Oderich, presidente do conselho de administração da Conservas Oderich.

Os empresários consideram os auxílios destinados mínimos em relação ao tamanho dos danos causados. Com prazos curtos, linhas de crédito dificultadas e condições de garantia fora de uma realidade para as empresas que foram duramente atingidas pelas águas de maio.

O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, reforçou a urgência de ações concretas por parte do governo federal. “Os recursos não chegam em quantidade suficiente”, criticou o presidente. Ele também convocou todos os presentes para um protesto pacífico, na sexta-feira, às 13h, colocando faixas pretas alusivas ao luto dos “100 dias sem auxílios”. “Precisamos fazer isso pelo futuro do nosso estado, pelo futuro dos nossos filhos”, afirmou, numa tentativa de sensibilizar o governo federal para escutar os apelos do RS.

Simonetti destacou que seu estabelecimento ficou fechado por 50 dias, sem faturamento. Ele ressaltou a necessidade de soluções diferenciadas para os diversos perfis afetados pela enchente, sugerindo a implementação de linhas de crédito variadas com prazos, juros baixos, subsídios ou até mesmo a fundo perdido, conforme a gravidade dos danos.

O sócio do 360 Gastro Bar na Capital considerou que a economia do Estado está devastada e a limitação do transporte prejudica ainda mais o turismo. “Tem uma série de coisas que impede o turista chegar na cidade”.

Piccinini observou que o setor de alimentos já estava passando por um processo de transformação e afirma que é a resiliência que está mantendo a empresa viva. Ele comentou que foi necessária uma readaptação após as enchentes de 2023, que atingiram fortemente a região do Vale, com medidas importantes para uma redução de danos, mas que a situação deste ano foi agravada devido a dificuldade de acesso pelas estradas, com pontes destruídas e que os desafio são diários. Ele conta que está operando com 70% da capacidade de suíno, com uma grande perda de capital de giro e aguardando o governo federal.

O produtor rural Lourenço Caneppele lembrou que teve 100% da sua área atingida pelas chuvas de setembro de 2023 e até agora ainda não conseguiu se reerguer. Ele tenta uma mudança de local, mas os recursos escassos e a falta de energia elétrica nessa nova sede dificulta ainda mais as obras. A enchente de maio intensificou os prejuízos e danificou ainda mais a estrutura construída ao longo de gerações. “Perdemos toda a produção. Galpão de suínos, grãos, gado... Não tenho mais nenhuma fonte de renda”, desabafou.

Oderich considera que o momento atual é de esperança. “Os empresários estão vivendo de esperança. Esperança que o BNDES nos ajude a destravar os recursos financeiros que as empresas estão precisando, as sociedades estão precisando. Esperança que o varejo valorize realmente a atividade produtiva local daquelas empresas que foram atingidas. Isso é muito importante, nós estamos com um custo mais elevado do que os nossos concorrentes, por questões naturais. Então nós perdemos muito”, dise. Ele abordou o impacto emocional e a dificuldade de manter os trabalhadores em suas funções. “Os bons funcionários estão sendo atraídos por outras regiões. É um desafio retomar a produção”, comentou.

Pereira que tem a distribuidora em Eldorado, cidade 80% atingida pela enchente de maio, considera que os empresários estão à mercê do poder público e que a sobrevivência está ocorrendo com o apoio da comunidade. Para ele, há uma expectativa crescente de que o poder público cumpra as promessas feitas no calor da tragédia. A incerteza quanto ao futuro é o que mais preocupa. “Estamos na expectativa do poder público cumprir o que foi prometido”, enfatizou.

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