O Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS) assinou nesta sexta-feira, em conjunto com um consórcio internacional formado por empresas, universidades e órgãos públicos, a carta de intenções do projeto Aura Sul Wind, projeto-piloto na América do Sul para protótipo de torre eólica offshore com base flutuante em Rio Grande, na Região Sul. Com investimento estimado em 100 milhões de dólares e baseado em tecnologia japonesa, o projeto tem previsão de ser instalado até 2030.
De acordo com a presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal, a escolha do RS como local para a instalação do protótipo mostra que o Estado sempre esteve na vanguarda de inovações tecnológicas, principalmente no fomento de fontes de energias renováveis. “Estamos com conexão, com bons projetos revisados e uma demanda crescente na indústria. Essa transição da terra para o mar já está esperada e mostra que a região de Rio Grande é extremamente favorável para empreendimentos offshore”, afirmou.
Especialista em energia eólica offshore, conselheiro da JB Energy e professor da Universidade de Tóquio no Japão, Rodolfo Gonçalves, apresentou o detalhamento do técnico do projeto. A torre, com cerca de 200 metros de altura, terá capacidade de geração de 18MW, que seria utilizada inicialmente para fornecer energia para o Porto de Rio Grande. Já base flutuante terá uma estrutura de 900 metros quadrados, com ancoragem em peso e empuxo semelhante à das plataformas de petróleo da Petrobras.
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Além disso, diferentemente das torres eólicas offshore fixas, que demandam construção de plataformas em áreas com profundidade menor de 50 metros, o projeto flutuante prevê a construção da estrutura no Porto de Rio Grande e, após, o transporte da mesma por rebocadores até o local onde a torre será ancorada, longe da costa. Desta forma, Gonçalves aponta que o projeto também fomentará toda uma cadeira gaúcha de suprimentos para a montagem da tecnologia.
“Por enquanto, será uma plataforma. Depois que mostrar viável, vamos para uma fase comercial, alimentando indústria e cidades com geração na ordem de gigawatts com dezenas de plataformas. O RS, por conta da sua condição de batimetria, com região boa em ventos, tornou-se muito atrativo para a plataforma flutuante. Além disso, teremos uma infraestrutura portuária favorável com o Porto de Rio Grande, que vai servir como montadora da tecnologia”, apontou.
Gonçalves reforça ainda que o uso de base flutuante ainda tem benefícios em termos ambientais se comparada com a fixa por não impactar em interferências estruturais nas regiões costeiras. O consórcio foi assinado pelo Sindienergia-RS, Portos RS, JB Energy, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e empresas de engenharia e de monitoramento ambiental e operações. Após a assinatura, o consórcio prevê apresentações do projeto para o governo do Estado, governo federal e para a iniciativa privada, em busca de investidores.