Ano eleitoral, 2026 deve trazer preocupações no aspecto do equilíbrio fiscal financeiro, com potenciais consequências no processo inflacionário, embora atualmente esteja controlado. A análise é do empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e bisneto do criador do grupo Gerdau. "Sempre preocupa bastante, porque normalmente nós já estamos com certo desequilíbrio financeiro, e que no processo eleitoral normalmente se acentua", disse.
"Nossa esperança é que os temas básicos do país sejam debatidos, que essa eleição talvez se aprofunde um pouco nesses debates dos princípios básicos necessários para o desenvolvimento econômico e social. Isso teoricamente deveria ser a peça principal. O período eleitoral deveria ser para debater quais são os temas principais para o desenvolvimento", afirma.
Aos 88 anos, o empresário à frente da maior multinacional brasileira no setor do aço e autor do livro "A Busca", foi palestrante na última reunião-almoço do Menu POA nesta terça-feira, na Associação Comercial de Porto Alegre, em que tratou sobre como ter utilidade em projetos para o desenvolvimento e a participação do empresariado no processo social e político do desenvolvimento global.
Gerdau também afirmou que é "extremamente complexo" a situação do endividamento do Rio Grande do Sul. Segundo o empresário, o nível é desproporcional em comparação com outros estados do Brasil, com índices elevados. "Preocupa muito porque atingiu um número, no meu entender, absolutamente desproporcional em relação à capacidade de pagamento, que nós vamos ter que ter uma capacidade negociável de condução política desse problema de uma forma intensa e complicada".
O presidente, que sempre defendeu a temática da educação, também destaca a importância de tratar do assunto nas ações de governança. Nas suas palavras, os números dos últimos anos ainda são "insatisfatórios" na sua evolução.
"O tema mais importante é sempre a educação, o resto é quase que consequências. Acho que estamos praticamente estragados no índice de melhoria da educação do Brasil", argumenta. "Na realidade, como um todo, por aspectos de tecnologia de gestão, o setor não utiliza ainda os instrumentos mais importantes que poderiam potencializar a evolução no processo educativo".
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Gerdau também analisou os impactos econômicos no setor do aço. Na sua avaliação, há um desequilíbrio internacional de mercado pela exportação da China por conta da sua crise interna. "Principalmente no setor imobiliário, que é um dos principais setores de consumo de aço, ao redor de 25 ou 30% do aço do mercado é consumido na área da construção civil para o mobiliário. Consequentemente, existe um excesso de capacidade da China para exportar aço, e isso está onerando a competitividade do Brasil de uma forma muito aceituada", analisa. Os valores que o país vende, então, estão abaixo da realidade do custo, causando um desequilíbrio.