Desafios e investimentos em capacitação de jovens na engenharia foi tema de discussão do Sergs Debates, ocorrido na manhã desta terça-feira na Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs). O principal ponto do evento tratou do programa estadual RS Talentos, que tem objetivo de formar talentos em áreas estratégicas para o desenvolvimento do estado, incentivando a inovação e a pesquisa científica e tecnológica.
Com financiamento de R$ 21 milhões, o programa, via Plano Rio Grande, é focado na reconstrução do estado após a enchente. Ele contempla dois editais: um com foco das universidades comunitárias, já lançado no South Summit 2025, e outro que deve ser anunciado em breve, que trata das universidades públicas do Rio Grande do Sul. O objetivo é qualificar profissionais para a indústria gaúcha, afirma a secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS, Simone Stülp.
“É justamente para que a gente possa, primeiro, atrair e manter jovens do estado do Rio Grande do Sul, que tenham este interesse pela área das engenharias e das tecnologias, nesta parceria com as universidades e com as empresas para que a gente trabalhe a formação destes alunos com cérebros qualificados e possa, inclusive, pensar novas cadeias produtivas para o Rio Grande do Sul, mais resilientes. Com novos setores com incorporação tecnológica e de inovação para que a gente possa estar mais preparado para novos eventos futuros, se acontecerem”, explica a secretária.
O primeiro edital já foi lançado, ligado a universidades comunitárias. O projeto vai oferecer até 400 bolsas de estudo em cursos de engenharia e áreas de inovação, com vagas para universidades comunitárias. As instituições estão preparando propostas encaminhadas ao edital, e a previsão de início das aulas dos alunos contemplados com as bolsas é para agosto de 2025, projeta a secretária. Nas próximas semanas, deve ser lançado o edital voltado a universidades públicas.
"Como é conectado à dinâmica do Plano Rio Grande, este primeiro conjunto de dois editais, eles são para aquelas áreas mais atingidas do estado do Rio Grande do Sul. Região Metropolitana, Sul, Vales, Serra e região Central", detalha.
A engenheira e coordenadora da Rede de Mulheres na Engenharia da SERGS, Daniela Cardeal, lembra da importância de capacitar jovens para o atual momento demográfico no estado e no Brasil. “O Rio Grande do Sul está passando por uma inversão de faixa etária. É o primeiro estado do Brasil que está tendo uma inversão da pirâmide que nos mostra que estamos envelhecendo. Não é um ônus, mas é um sinal de alerta. Porque a gente tem que capacitar os jovens que estão aqui”.
Secretário executivo do Gabinete de Inovação de Porto Alegre, Luiz Carlos Pinto, afirma que a economia do século 21 trabalha com negócios inovadores e necessita de apoio tecnológico. “Ela depende fundamentalmente de talentos, de gente criativa, de gente capacitada para poder fazer bom uso dessa tecnologia”, diz.
Ele afirma que, ao longo dos anos, houve mudanças no perfil de jovens e, ao mesmo tempo, perda de atividade no ensino superior. "Hoje a gente acaba tendo menos de 25% dos jovens que acabam ingressando no centro superior, e muitos deles não estão indo para carreiras que são essenciais para a gente poder manter o desenvolvimento tecnológico", afirma. "Uma discussão que temos é entender esse perfil, e como a gente pode valorizar a engenharia e começar a ter políticas proativas", afirma.
Ele afirma que o município tem atuado em ramo de inovação inclusiva para atrair jovens, considerando a inversão da pirâmide etária no Rio Grande do Sul. “Temos olhado essa questão de levar conhecimentos às regiões periféricas, garantir que a inovação seja um cobertor que possa incluir todos os jovens, e não só alguns", complementa. "É uma preocupação muito grande da gente entender como assegurar um fluxo de talentos positivo para a engenharia como um todo, para a inovação em particular, para manter o ritmo de desenvolvimento do estado".
O evento discutiu, também, quais são as profissões do futuro, quais áreas estão despontando no Rio Grande do Sul. "Esse é um ano de COP. Como esse incentivo a jovens talentos em uma área de inovação pode casar com as premissas do desenvolvimento sustentável?", acrescenta Daniela. "O evento de hoje é importante não somente para os formadores de opinião que estão aqui, líderes, dirigentes e representantes do poder público, mas também representantes de academia para poderem internalizar dentro das instituições, e aí sim a gente poder alcançar os jovens", complementa.