Com o tema A Tragédia, Perdas e as Ações que o RS precisa, o Tá na Mesa, realizado pela Federasul, desta quarta-feira trouxe representantes três setores impactados pela destruição provocada pela enchente de maio no Estado.
Durante o encontro, o presidente da Associação dos Empresários do Quarto Distrito Vítimas da Enchente, Arlei Romeiro; do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (Sindha), Paulo Geremia, e da Federação AGV, Vilson Noer, destacaram a necessidade de uma ação mais efetiva do governo federal no Rio Grande do Sul.
Compartilhando desta posição, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, considerou as políticas públicas do governo federal equivocadas e que um novo rumo deveria ser traçado. Costa considerou a necessidade de ser delimitada uma mancha econômica que cobre todo o Rio Grande do Sul, duramente atingido pela enchente histórica.
“O cenário que surge a nossa frente tem sido casa vez mais sombrio por uma inercia, por uma morosidade, eu diria até por um negacionismo do governo federal. Por políticas públicas equivocadas para dizer o mínimo. Estamos alertando, desde o primeiro dia, da importância de uma política pública de suspender os contratos de trabalho, que permitisse que os trabalhadores recebessem o equivalente ao seguro desemprego, para que a gente salvasse os empregos e as empresas”, considerou.
Costa aproveitou o seu depoimento para dar uma resposta pública da consulta feita pelo governo Estado sobre o reajuste de cargos e salários: “O RS já sofreu demais por uma falta de responsabilidade com os números. Não é momento de aumentar o custo da máquina pública na forma de salários”, declarou.
Seguindo a linha de ampliar a mancha para uma cobertura estadual, o presidente da Federação AGV, Vilson Noer considerou os danos na infraestrutura do Estado, como um todo, principalmente com o fechamento do Aeroporto Salgado Filho e a falta de definição da data de reabertura, o que afeta além do turismo, a logística no Estado.
“O Estado precisa de ajuda. O Estado teve uma queda enorme de arrecadação. O Rio Grande do Sul é o Brasil e neste momento nos queremos que o dinheiro enviado para Brasília viesse para o Estado”, disse ressaltando que o ministro Paulo Pimenta tenta ajudar, mas esbarra na Capital federal.
Entre as ações urgentes, Noer destacou a necessidade de recursos financeiros significativos, com mais uma edição do Pronampe, Capital de giro, juros a 4%, carência ou fundo perdido. Prorrogação dos tributos federais, além de facilitar o cadastro dos benefícios. “Para você recuperar uma loja precisa ter recurso. Se esse recurso não vem do governo federal, não há jeito”, ressaltou lembrando que apenas 30% dos cadastros realizados para os benefícios sociais foram aprovados.
O presidente da Associação dos Empresários do Quarto Distrito Vítimas da Enchente, Arlei Romeiro observou que em Porto Alegre mais de 45 mil empresas foram atingidas, sendo 4.299 no 4º Distrito, e que somente para atender as necessidades dos empresários da Capital os recursos do governo federal já são insuficientes.
Romeiro destacou que o recurso do BNDS, de R$ 15 bilhões, liberados nesta quarta-feira, são destinados somente para as empresas afetadas diretamente, que estão na mancha de georreferenciamento. “Não são somente essas empresas que necessitam desse recursos. As empresas que estão sendo atingidas economicamente, com a redução de faturamento, não poderão acessar essa linha de crédito”. O empresário também considerou a necessidade de uma flexibilização das linhas de créditos e uma regra clara para a liberação dos recursos, “pois os bancos vão analisar a capacidade da empresa de reverter a situação que está sendo enfrentada e a liberação pode ser dificultada”.
O presidente da Associação também sublinhou que as cobranças protocolares, como envio de documentos e cartas, visitas a Brasília de diferentes comitivas, já foram realizadas, mas que, até o momento, não houve mudança de cenário. E que está sendo organizado um ato público “para chamar a atenção do governo federal e da opinião pública de ações e medidas que precisam ser tomadas de forma a resolver as questões do Rio Grande do Sul”. O ato apartidário vai ocorrer no Sitio do Laçador, domingo, 14, às 15h.
O presidente do Sindha, Paulo Geremia, destacou a grande perda de insumos e equipamentos. Considerando os prejuízos maiores do que na pandemia, pois havia a possibilidade de fazer tele entrega e existia movimentação de caixa, ele considerou que os empréstimos antigos deveriam ter sido pausados, pois não existe receita para serem quitados. E a importância de um projeto social que atinja todo o Estado, principalmente com recursos para manter os empregos.
"Para manter os empregos, não pode demorar para vir os recursos”, destacou considerando que o Aeroporto é o fator principal para que a economia do Estado volte a funcionar.