Economia

Tarso promete intervenção do governo para realocar trabalhadores da Azaleia

Governador afirma que empresa ganhou cerca de R$ 40 milhões do Fundopem entre 1994 e 1999

Governador afirma que empresa ganhou cerca de R$ 40 milhões do Fundopem entre 1994 e 1999
Governador afirma que empresa ganhou cerca de R$ 40 milhões do Fundopem entre 1994 e 1999 Foto : Arthur Puls
O governador Tarso Genro anunciou, nesta terça-feira, durante abertura de uma feira de tecnologia da informação, na Fundação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre, que o Estado vai intervir para realocar os 840 trabalhadores demitidos ontem da Vulcabras/Azaleia, em Parobé. Segundo Tarso, um grupo formado por representantes de diferentes secretarias deve seguir para Parobé até o final do dia para tratar dessa questão.

O anúncio foi surpresa para o governo, que acompanha o setor. "Instalamos uma câmara do setor coureiro-calçadista, está montada, funcionando." Mas, de acordo com o Tarso, não houve aviso de nenhuma movimentação no sentido de demissões. Em relação aos incentivos, o governador afirma que houve concessões e fez duras críticas à empresa. "São empresas que receberam incentivos fortíssimos, foram bancadas com recursos públicos e fazem o deslocamento deles sem qualquer prévio aviso. Mas isso é a sociedade de mercado, o modelo que tinha sido escolhido pelo Estado até agora. Modelos que queremos reverter, porque essa visão da pura renúncia fiscal, e da espontaneidade, de simplesmente deixar o mercado agir, leva a situações como essa."

Conforme Tarso, somente a Azaléia ganhou cerca de R$ 40 milhões do Fundo Operação Empresa (Fundopem) do governo estadual entre os anos de 1994 e 1999. E, mesmo apoiada com recursos do Estado, a empresa, que é a segunda maior fabricante mundial de calçados, fechou em dezembro de 2005 uma unidade no município de São Sebastião do Caí, demitindo outras centenas de trabalhadores.

Em entrevista à Rádio Guaíba, nessa manhã, o presidente da Vulcabras/Azaleia, Milton Cardoso, chamou a atenção para a falta de incentivos e excessivas cargas tributárias que ainda assolam o setor brasileiro. A unidade era a última fábrica da Vulcabras/Azaleia em operação no RS. A produção se mantém na Bahia, Ceará e Sergipe.

A prefeita de Parobé, Gilda Maria Kirsch, já planeja uma reunião para levantar garantias e direitos dos trabalhadores. Segundo ela, a calçadista era responsável por 30% da arrecadação total de ICMS do município — a segunda maior do Vale do Paranhana. "Aproximadamente 70% da nossa cidade vive da produção do calçado."

Pelo menos cinco empresas da região já demonstraram interesse em empregar os funcionários demitidos. A ideia é que pelo menos 60% do quadro seja absorvidos pelas empresas locais, como Bottero, Crysalis e Bibi. Antes da demissão coletiva, a Azaleia tinha 2.580 trabalhadores. Parobé tem cerca de 52 mil habitantes e mais de 200 empresas e ateliês calçadistas, que são responsáveis pelo sustento de 40% da população. A Azaleia chegou a ter 12 mil funcionários e, nos últimos 6 anos, vem aumentando as demissões.

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O presidente da frente parlamentar do setor calçadista do Rio Grande do Sul, deputado Luis Lauermann (PT), sugeriu alternativas para fortalecimento do mercado calçadista gaúcho, em detrimento do mercado externo. Ele acredita que a concorrência "predatória e desleal" motivaram as 840 demissões na linha de produção da Azaleia, em Parobé.

“Há pouco tempo, colocamos uma medida de taxação para calçados vindos da China que aumentou em 40 mil o número de trabalhadores com carteira assinada no Rio Grande do Sul. Hoje a China precisa fazer triangulações, inclusive via Mercosul, para exportar calçados para o Estado. Agora é a hora de estender essa medida para outros países”, analisou.

Apesar de lamentar o fato, Lauermann minimizou as perdas do município na cidade de Parobé. “Acho que esse indicador apresentado pela prefeitura (de que a Azaleia representava entre 25% e 30% do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços na cidade) um pouco exagerado. Não me parece que a empresa representa tanto. De qualquer forma, é uma sempre um prejuízo importante nas finanças do município, fora o desemprego”, analisou.


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