A Comissão estima que a taxa de pobreza será de 30,4% da população latino-americana neste ano, enquanto o índice de indigência deverá aumentar para 12,8% devido ao impacto da alta dos preços de alimentos, o que neutraliza o aumento da renda familiar. Segundo a Cepal, havia 177 milhões de pobres na região em 2010, sendo 70 milhões de indigentes. Neste ano, a expectativa é de que o número de latinos em situação de pobreza caia para 174 milhões, sendo 73 milhões vivendo em pobreza extrema.
Apesar dos programas sociais do governo brasileiro, o País não figura entre os cinco países que tiveram quedas mais expressivas dos índices de pobreza. Segundo a Cepal, entre 2009 e 2010, os destaques foram: Peru, Equador, Argentina, Uruguai e Colômbia. Já Honduras e México registraram aumento no número de pobres: 1,7% e 1,5%, respectivamente.No levantamento da Cepal, os países com menor gasto social anual por habitante são Bolívia, Equador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Paraguai. O Brasil aparece no grupo dos países com gasto social per capita superior a US$ 1 mil, assim como Argentina, Chile, Costa Rica, Cuba, Trinidad e Tobago e Uruguai. No primeiro grupo, os gastos são concentrados em educação. No segundo, a previdência e a assistência social são as áreas prioritárias dos governo.
Crise internacional
Mesmo com o cenário internacional desfavorável, o relatório da Cepal revela que, ao expandir o gasto público, os governos da América Latina conseguiram evitar o aumento do desemprego e a vulnerabilidade social. Ainda assim, a Cepal observa que, a médio e longo prazo, muitos países terão de promover reformas em seus sistemas de previdência social para avançar em direção a sistemas de proteção social com enfoque de direitos. "Do contrário, haverá progressivas dificuldades para financiar uma proteção social de caráter universal em sociedades cada vez mais envelhecidas e com menor proporção de força de trabalho", diz o comunicado da Cepal.