Economia

TCU alerta para crescimento da dívida do governo federal

Órgão também destacou a trajetória ascendente da dívida em todos os cenários projetados até 2029

Equipe do TCU avaliou as projeções oficiais divulgadas pelo Tesouro Nacional
Equipe do TCU avaliou as projeções oficiais divulgadas pelo Tesouro Nacional Foto : Valter Campanato / ABr / Divulgação / CP

O Tribunal de Contas da União (TCU) afirmou na quarta-feira que há "insuficiência das metas fiscais vigentes" para a estabilização da dívida bruta do governo geral (DBGG) em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a soma de bens e serviços produzidos no país. O órgão também destacou a trajetória ascendente da dívida em todos os cenários projetados até 2029.

As conclusões constam de relatório elaborado pela equipe técnica da Unidade Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal). O plenário da Corte determinou que o Tesouro Nacional passe a explicitar, nos próximos projetos de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), qual é o nível de resultado fiscal considerado "consistente com a estabilização" da dívida bruta em relação ao PIB no horizonte de dez anos.

A equipe do TCU avaliou as projeções oficiais divulgadas pelo Tesouro Nacional nos Relatórios de Projeções Fiscais (RPFs) e de Projeção da Dívida Pública (RPDPs). Segundo os cálculos da fiscalização, mesmo com o cumprimento das metas fiscais atualmente previstas, a estabilização da relação dívida/PIB não está garantida.

"A equipe concluiu que as metas fiscais efetivas são insuficientes para assegurar a estabilização da DBGG até 2029 em todos os cenários projetados, inclusive naquele que pressupõe o cumprimento integral das metas de resultado primário efetivo estabelecidas na LDO 2026 (para os próximos anos)", destaca o acórdão.

Nos cenários de referência analisados, o TCU identificou como problema central a "dependência crescente" das chamadas receitas condicionais, ou seja, estimativas de arrecadação que dependem da aprovação prévia de novas medidas legais. A lei do arcabouço fiscal, aprovada em 2023, passou a exigir que as metas fiscais sejam compatíveis com o objetivo de médio prazo de estabilização da relação entre dívida e PIB.

A fiscalização também apontou outras inconsistências, entre elas a deterioração dos indicadores de capacidade de pagamento, a diferença entre o resultado primário efetivo e o resultado necessário para estabilizar a dívida, além de transparência considerada insuficiente nas projeções oficiais da relação DBGG/PIB quanto à sensibilidade às receitas condicionais.

De acordo com o relatório, o indicador "juros/receita" foi o que apresentou a pior evolução no período entre 2023 e 2025.

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