Economia

Teto da meta inflacionária de 2011 está ‘seriamente ameaçado’, diz FGV

Com pressões nos preços do varejo, seria difícil reduzir a taxa de 7,23% do IPCA acumulado dos últimos 12 meses

O teto da meta inflacionária de 2011, de 6,5%, está "seriamente ameaçado", nas palavras do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros. Ele lembrou que o IPCA já acumula alta de 7,23% em 12 meses até agosto, e que seria difícil diminuir esta taxa até o final do ano, tendo em vista as pressões ainda existentes de aumentos de preços no varejo para os próximos meses. "Tem espaço ainda; mas ficou bem mais difícil", avaliou.

Para o especialista, na decisão do Copom na semana passada, de corte de 0,50 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic), para 12% ao ano, houve uma "ruptura" no código de comunicação entre mercado e Banco Central. Na análise do especialista, isso, na prática, não conduz a um efeito imediato na taxa acumulada do IPCA; tampouco age como obstáculo direto e instantâneo à estratégia de combate à inflação do varejo.

Mas admitiu que a decisão do BC mexeu e muito com as expectativas inflacionárias, que são formadas a partir da comunicação entre o banco e o mercado. "Toda vez que o BC toma decisões que fogem do padrão, o mercado se assusta. Esta decisão (de corte da Selic) pode até se mostrar correta futuramente, mas, respeitando os preceitos da comunicação entre BC e mercado, eu esperaria que esta decisão fosse tomada de uma forma mais gradativa. Como ocorreu, dá margens a muitas interpretações", afirmou.

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