Economia

Tombini vê piora em expectativa de crescimento global

Presidente do Banco Central disse que é preciso um esforço redobrado e uma leitura mais precisa da economia

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, demonstrou nesta terça um prognóstico pouco otimista com as perspectivas da atividade econômica nos próximos meses. Segundo ele, "já se fala em contração" na Europa no 4º trimestre de 2011 e também nos Estados Unidos, que seriam afetados no 1º trimestre de 2012.

Um dos argumentos para essa leitura pouco otimista é baseada nos indicadores relativos à produção industrial. "Hoje vemos uma virada preocupante em relação à perspectiva econômica, e o Brasil não está isolado. Está havendo revisão para baixo das perspectivas, incluindo aí a China, o que é uma novidade", disse Tombini ao apresentar dados de atividade econômica medidos pela pesquisa PMI. Outro indicador é a piora dos números de confiança do consumidor.

Grande turbulência

Tombini acrescentou hoje, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o momento atual é de "grande turbulência" na economia mundial. Segundo ele, o quadro reforça o entendimento de que é preciso uma "reação das autoridades, sobretudo do BC, um esforço analítico redobrado para agir e uma leitura mais precisa possível da economia mundial e das repercussões".

Tombini observou que o Brasil tem sido convidado a todos os principais fóruns internacionais para debater e avaliar a crise financeira. Essa posição, explica, dá uma "visão privilegiada" para avaliar a situação da crise e as consequências desse ambiente.

O presidente do BC explicou que a crise vivida atualmente ainda é consequência da crise de 2008. "Isso tornou-se mais complexo nos meses recentes, nas semanas recentes. É algo que nós já havíamos alertado", disse. Ele acrescentou que a exposição do sistema bancário dos Estados Unidos às hipotecas geradas naquele mercado acabou se expandindo e se tornou também uma crise no mercado de reserva interbancária. "Com isso, outros mercados, como a Europa, sofreram as consequências daquela crise".

Para Tombini, as principais economias estão atualmente "com menos munição" para reagir a uma eventual piora do quadro econômico internacional. Ele disse que, em 2008 e 2009, "houve reação sem precedentes do G-20" à crise financeira. "Era para evitar uma depressão, uma recessão econômica. Pode se dizer que foi uma resposta que gerou resultados e, a partir do 2º trimestre de 2009, houve alguma recuperação das economias maduras, mas não pareceu sustentável", disse.

O presidente do BC afirmou que essas políticas econômicas geraram consequências, como o forte custo para as contas públicas nas principais economias do globo. "Muitas dessas economias usaram grande quantidade de estímulos e não tiveram oportunidade de reverter esses estímulos. Essas economias têm menos munição para tratar da crise", disse. Uma das principais consequências citadas por Tombini foi a rápida piora dos indicadores de dívida de economias como Estados Unidos, Japão e Europa.

Fluxo comercial


Tombini acrescentou que o BC observa nos últimos meses um aumento do fluxo comercial. Segundo ele, tem havido uma predominância dos fluxos comerciais sobre os financeiros. As medidas adotadas pelo governo, disse ele, moderaram o fluxo financeiro de capitais para o Brasil.

De acordo com Tombini, essas medidas contribuíram também para mudar a composição dos ingressos de capitais, passando a prevalecer o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) no lugar de outros tipos de capitais. Ele apresentou números que mostram que, enquanto em 2010 os ingressos de IED representavam 37,4% dos fluxos, em 2011 são equivalentes a 62,9%. Já os demais fluxos (títulos de renda fixa, ações, empréstimos) caíram de 62,6% em 2010 para 37,1% em 2011.

Para Tombini, as medidas também contribuíram para melhorar a maturidade dos capitais que ingressaram. Observou-se uma redução do fluxo de capitais de curto prazo e ao mesmo tempo um aumento do fluxo de longo prazo.

O presidente do BC também destacou que o primeiro resultado da desvalorização do real frente ao dólar é uma melhora da dívida externa do setor público, já que o governo é credor na moeda norte-americana.

Ela acrescentou que a política macroeconômica adotada pelo Brasil têm contribuído para a redução da vulnerabilidade da economia do País. Ele apresentou dados que mostram uma melhora dos indicadores de endividamento externo desde 2003. A dívida de curto prazo em relação às reservas caiu de 2003 a agosto de 2011 de 120,6% para 21,5%, destacou. "Vemos uma economia menos vulnerável do que há oito anos", concluiu.

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