Trabalhadores de três empresas terceirizadas contratadas pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) de Canoas amanheceram nesta terça-feira concentrados do lado de fora do portão principal da unidade, em sistema de vigília. A categoria decidiu manter a greve após rejeitar a contraproposta apresentada pelas empresas patronais na audiência de mediação que aconteceu na noite de segunda-feira no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT 4), da capital.
Muito distante do que foi sugerido pelo desembargador Alexandre Corrêa e da proposta reivindicada pela categoria, as terceirizadas propuseram o pagamento do vale-alimentação, de junho a dezembro, no valor de R$ 750 e a partir de janeiro 2025 no valor de R$ 800. O reajuste salarial oferecido foi de 5%. Os trabalhadores rejeitaram a proposta e seguem parados, aguardando novas negociações. Eles pedem reajuste salarial de 10% e vale alimentação no valor de R$ 1.250.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Gelson Santana, que representa os trabalhadores, disse que o próprio tribunal achou estranho a disparidade salarial que existe entre os terceirizados dentro da refinaria. "É importante salientar que não existe trancamento de portão, impedindo trabalhadores de ingressar na unidade. A categoria está muito consciente daquilo que quer. Não há nada ilegal na greve. Ao contrário, o trabalhador deve lutar pelos seus direitos e por condições mais dignas de trabalho."
Segundo Santana, a luta é pela equiparação salarial e isonomia. "Acreditamos que muito em breve as empresas devam apresentar uma nova proposta. Os trabalhadores parados são enfáticos em dizer que se não houver uma solução plausível, eles não retornarão aos postos de trabalho."
Procurada mais uma vez pela reportagem, a Petrobras manteve seu posicionamento inicial, esclarecendo que, no desenvolvimento de suas atividades, realiza a contratação de empresas prestadoras de serviços e que não interfere nas relações entre as empresas contratadas, seus trabalhadores e sindicatos. A companhia reforça que todos seus contratos de serviço estão em conformidade com a legislação vigente. A refinaria segue operando normalmente.