Economia

Transpetro cancela construção de 17 navios da Petrobras

Governo projeta fretar navios de terceiros para atender demanda

Governo projeta fretar navios de terceiros para atender demanda
Governo projeta fretar navios de terceiros para atender demanda Foto : Roberto Stuckert Filho/PR/CP
A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobrás, quer se tornar mais enxuta, competitiva e buscar clientes para além de sua controladora. O plano foi explicitado nesta quinta-feira pelo presidente da subsidiária, Antonio Rubens Silva. Uma das mudanças inclui abandonar a diretriz de contratar a construção de navios próprios com estaleiros nacionais, desfazendo a política dos governos do PT de usar a demanda da Petrobrás para impulsionar a indústria naval. Nesse quadro, o executivo informou que a empresa cancelou a contratação de 17 navios previstos no Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef).

“A Transpetro está estruturada para a busca de novas oportunidades no mercado. Estamos em processo acelerado de otimização de custos e gestão. A empresa está determinada a ser cada vez mais competitiva”, disse Silva, em palestra no último dia da feira Rio Oil & Gas. Segundo Silva, a empresa já está em “consultas e conversas” para “trazer bons negócios”.

Segundo Silva, são embarcações que nem começaram a ser construídas e todos os pedidos tiveram contratos rescindidos. O Promef era um dos principais programas da Transpetro sob a gestão de Sérgio Machado, ex-presidente da subsidiária e um dos delatores de caciques do PMDB na Operação Lava Jato.

O programa previa a contratação de 46 embarcações, segundo Silva. Desse total, 17 foram construídas e entregues. Nove estão em construção e são aguardadas pela Transpetro. Três embarcações que estavam em construção no estaleiro Eisa Petro-1, no Rio, estão com situação indefinida, após o fornecedor pedir recuperação judicial. Silva disse que essas encomendas podem tanto ser canceladas quanto repassadas para outros estaleiros.

Ainda conforme Silva, o cancelamento de 17 pedidos não implica a redução na capacidade de operação. O plano é fretar navios para dar conta da demanda da Petrobrás e de outras empresas, já que o foco de expansão da subsidiária agora vai além de atender a controladora. “O fato de ter cancelado 17 navios não quer dizer que não vamos ter navios. Estamos avaliando contratar navios a casco nu”, disse, comparando com a frota de caminhões da Transpetro, da qual 355 são de terceiros. “Não é terceirização. O navio é contratado, mas eu tripulo e presto o serviço”, explicou.

Segundo ele, a Transpetro está em processo acelerado de otimização de custos e gestão, para aumentar a competitividade. “Vamos migrar de uma atuação muito focada em Petrobrás para também atender ao mercado”, disse Silva durante a palestra.

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