Economia

Trump ataca a China antes de retomada de negociações comerciais

Últimos diálogos entre os dois países não apresentaram avanços significativos

Trump voltou a atacar a China antes da retomada das negociações
Trump voltou a atacar a China antes da retomada das negociações Foto : Saul Loeb / AFP / CP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a China nesta terça-feira, no mesmo momento em que representantes de Washington chegavam em Xangai para retomar as negociações comerciais entre os dois países.

"Minha equipe está agora negociando com eles, mas eles (chineses) sempre mudam o acordo no final para seu benefício", escreveu Trump no Twitter. "A China está fazendo muito mal, seu pior ano dos últimos 27 anos. Ela deveria começar a comprar nossos produtos agrícolas, mas não há sinal de que está fazendo isso. Este é o problema com a China, não faz" o que deveria fazer", acrescentou. 

 

 

A China e os Estados Unidos aplicam, mutuamente, tarifas sobre mais de 360 bilhões de dólares em produtos. Os líderes dos dois países acordaram uma trégua em junho e voltaram a dialogar, mas desde então não houve grandes avanços. "A China aborda fundamentalmente esta questão sob um viés puramente econômico e quer simplesmente fechar um acordo", disse à Wang Chuanxing, professor da universidade de Tongji, em Xangai. Mas os Estados Unidos "tentam juntar os problemas comerciais com uma rivalidade estratégica", explicou.

Trump irritou Pequim em maio quando colocou a gigante tecnológica chinesa Huawei em uma lista suja, argumentando motivos de segurança. Agora, "o ponto em comum é que as duas partes querem chegar a um acordo. Isso é muito importante", diz Wang.

O jornal em inglês Global Times, considerado próximo ao governo de Pequim, admitiu nesta sexta-feira em um editorial que "as negociações serão longas". De acordo com alguns observadores, a China pode ampliar de propósito as negociações até as próximas eleições americanas de 2020, na esperança de encontrar um presidente mais disposto a negociar que Trump.

Do lado chinês, a delegação negociadora é liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He, próximo ao presidente Xi Jinping. Mas o ministro chinês de Comércio, Zhong Shan, considerado mais rigoroso, pode ter um papel mais significativo. Para Wang Chuanxing, trata-se de "uma pessoa muito competente", mas que pode ter "palavras duras" na negociação.

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