O terremoto e o tsunami que afetaram o Japão foram duros golpes para a economia do país e trouxeram instabilidade também para os mercados mundiais. No caso da economia brasileira, os reflexos chegam de forma diferente a determinados setores, como os de siderurgia e mineração.
Para o analista da corretora Solidus, Matias Dieterich, as siderúrgicas nacionais podem se beneficiar no curto prazo. Diversas plantas estão paradas no Japão, segundo maior produtor de aço, com 8% da produção mundial registrada no ano passado. "Isso reduz a oferta mundial do aço no mercado, o que pode ocasionar uma subida nos preços", observa. Com relação ao setor de mineração, ele diz que deve ocorrer redução dos embarques para o país, enquanto as usinas permanecerem desativadas. "Em um segundo momento, porém, na fase de reconstrução, o movimento pode ser contrário e haver uma demanda adicional por minério. A Vale vendeu 10% da sua produção de minério de ferro e pelotas para o Japão no ano passado."
Apesar dos diferentes prognósticos e avaliações, os mercados se mostram cautelosos, especialmente porque o Japão é uma das maiores economias do mundo. "Quando um terremoto atinge uma economia desse tamanho, os investidores começam a enxergar barreiras no crescimento mundial", explica o gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, Reginaldo Galhardo. Por isso há uma visão compartilhada de que os desastres ocorridos no dia 11 devem frear a retomada do crescimento da economia japonesa, que ainda tenta se reerguer após a crise financeira de 2008. Embora ainda não seja possível mensurar os estragos na infraestrutura e, sobretudo, no setor de eletroeletrônicos e equipamentos de comunicação, que podem causar impacto nas linhas de produção da Ásia, o Japão, que recentemente foi ultrapassado pela China como segunda maior economia do mundo, pode interromper investimentos no exterior e contribuir para a desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.
O economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Antonio Fraquelli também vê interrupção da trajetória de recuperação da economia japonesa. Para ele, áreas nas quais o país era forte, como as exportações e o setor de alta tecnologia, devem arrefecer os negócios. Outro setor enfraquecido é o de commodities. Fraquelli lembra que essa foi uma das consequências do terremoto de Kobe, que matou aproximadamente 6,5 mil pessoas e custou 10 trilhões de ienes, o equivalente a 2,5% do PIB japonês em 1995. Conforme avalia o economista, a apreciação do iene contribuiu para alterar as condições econômicas da região. Fraquelli ainda faz a ressalva de que, após o terremoto de Kobe, o governo tomou diversas iniciativas para que se reduzissem os efeitos do desastre, o que desta vez pode diminuir o impacto sobre a infraestrutura.
Tsunami deve potencializar indústria do aço no Brasil
Várias plantas estão paradas no Japão