Economia

Vai ficar mais difícil encontrar empregadas domésticas

Profissionais são disputados no mercado, mas atividade segue na informalidade

Ionara deixou emprego de doméstica e hoje é diarista
Ionara deixou emprego de doméstica e hoje é diarista Foto : Fabiano do Amaral
Para quem acha que encontrar um empregada doméstica está difícil, um aviso: vai ficar ainda mais. A procura por essa profissional aumentou nos últimos anos devido, entre outros fatores, à melhora econômica da classe C e à escolarização da população. De atividade servil a produto disputado no mercado, a doméstica, cujo dia é comemorado em 27 de abril, conquistou direitos, sabe barganhar e consegue até obter ganhos atrativos, especialmente no caso das diaristas. Em contrapartida, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2009, apenas 26,3% delas conquistaram carteira assinada. A formalização do trabalho doméstico ainda segue sendo o grande desafio dessas profissionais.

A empresa SOS Empregador Doméstico atua em todo o país oferecendo prestação de serviços na área, desde a contratação de profissionais até a formalização de documentação relacionada ao setor. Só no RS, o grupo tem 10 mil candidatos cadastrados. "A demanda pelo trabalhador doméstico tem crescido por causa da classe C, que aumentou seu poder de compra com o crescimento econômico brasileiro", avalia Rodrigo de Freitas, diretor da empresa. A presidente do Movimento de Donas de Casa e Consumidores do RS, Edy Mussoi, explica que o acúmulo de funções pode ser evitado, diante da especificação das tarefas por meio de contratos. "Elas são responsáveis por todas as atividades do lar. Se existe alguma tarefa que não tenham habilidade ou não queiram desempenhar, isso tem que estar estabelecido no contrato de trabalho", recomenda Edy.

A informalidade é o principal entrave da categoria. Segundo Juarez Gonçalves dos Santos, diretor da Agencce Recursos Humanos, a falta de comprovação de experiência, por meio do registro em carteira assinada, atrapalha na hora da contratação. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio mostram que existem no Brasil 7,2 milhões de trabalhadores domésticos. A grande maioria não tem acesso ao FGTS e não dispõe de horário de trabalho definido.

O estudo também mostrou que o emprego doméstico tem atraído cada vez menos as jovens. As mulheres com mais de 30 anos representam 72,7%. Em 1999, eram 56,5%. "Elas estão em busca de melhores salários e não ficam muito tempo nos empregos que pagam mal", diz Freitas. No RS, o piso regional da categoria é de R$ 700.

Agenda sempre lotada

Trabalhar como diarista é uma alternativa para empregados domésticos que querem aumentar seus lucros. Foi o que fez Ionara Camargo, 39 anos, atendendo a um pedido do marido, Ivandro Correa. "Eu trabalhava como empregada em uma residência, mas o meu marido sugeriu que eu partisse para a atividade sem vínculo, porque iria ganhar mais. Foi o que aconteceu: eu larguei a antiga função, onde eu recebia um salário de R$ 1,2 mil, e agora consigo atingir uma renda que varia entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil por mês", garante Ionara.

A diarista conta que a agenda dela está lotada de segunda a sexta-feira. Ionara também não trabalha no sábado porque o marido quer que ela descanse no final de semana. "Eu já tenho uma clientela fixa. Cobro R$ 85,00 na maioria das casas. Já tive que negar ofertas de R$ 100,00 porque não quero perder as patroas que tenho e prefiro seguir trabalhando com elas", comenta. Natural de Nonoai, Ionara começou a trabalhar no ramo aos 16 anos. Ela ressalta que desempenha o trabalho com muito gosto. "Faço tudo com a maior alegria, porque gosto do meu trabalho. Prefiro até lavar roupa à mão. Só não gosto muito de limpar as janelas em prédios altos e de mexer em lustres, pois tenho medo de levar choque", admite.

Ionara participou dos cursos para empregadas domésticas do Movimento de Donas de Casa e Consumidores do Rio Grande do Sul e diz que lhe foram úteis. "Aprendi muito com as aulas. Por exemplo, dobrar lençóis com bainha é complicado, mas, no curso, recebi boas dicas. E também aprendi a passar roupas melhor do que fazia antes", completa a diarista, que já trabalhou como doméstica no Paraná e em Minas Gerais.

Ionara conta que tem um filho de 10 anos, o João, que vive no Interior com os pais dela e a quem costuma visitar todos os meses.

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