As vendas de materiais de construção no país cresceram 1,6% em março na comparação com o mesmo mês do ano passado e subiram 3,1% na comparação com fevereiro. O desempenho positivo das vendas em março foi o primeiro após nove meses consecutivos de quedas. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 17, pela Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). Os números já são deflacionados.
O resultado de março foi puxado principalmente pela melhora nas vendas de materiais básicos, que cresceram 2,5% na comparação anual, enquanto os materiais de acabamento avançaram apenas 0,2%. Apesar da melhora do desempenho no mês, o setor ainda acumula retração de 3,3% no acumulado dos últimos 12 meses até março.
Segundo a Abramat, a leitura do setor é de que o resultado reflete uma recomposição parcial da atividade, ainda sem caracterizar uma tendência consolidada de crescimento.
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Cautela em meio ao cenário global
"O resultado de março mostra uma recuperação pontual, após uma sequência de quedas, mas ainda não reflete os desdobramentos do cenário internacional. A escalada do conflito no Oriente Médio tende a pressionar custos de insumos relevantes, como aço e cimento, o que pode impactar a atividade da construção e o desempenho da indústria nas próximas leituras", afirma o presidente da Abramat, Paulo Engler.
Segundo ele, esse movimento também pode influenciar o ambiente macroeconômico doméstico. "Esse contexto pode contribuir para a manutenção de uma taxa de juros elevada por mais tempo, o que afeta o crédito e a dinâmica do setor. Por isso, seguimos com uma visão de cautela, apesar da projeção de crescimento moderado para o ano", completa.
Projeção para o futuro
Por ora, a Abramat mantém a projeção de crescimento de 1,9% no faturamento para 2026, sustentado pela expectativa de uma redução gradual das taxas de juros e pela continuidade de programas habitacionais.