Economia

Vendas do varejo têm alta de 0,6% em julho

Os dados divulgados hoje pelo IBGE reforçam a leitura de forte crescimento do mercado interno

A atividade de supermercados teve alta de 1,7% nas vendas em relação a junho
A atividade de supermercados teve alta de 1,7% nas vendas em relação a junho Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

O comércio varejista voltou a mostrar fôlego em julho. O volume vendido cresceu 0,6% em relação a junho, após uma queda de 0,9% registrada no mês anterior. No ano, a alta acumulada chega a 5,1%. Segundo analistas, o dado - divulgado hoje pelo IBGE - reforça a leitura de forte crescimento do mercado interno, o que pode aumentar as pressões sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

O colegiado volta a se reunir na próxima semana para definir a nova taxa básica de juros, hoje em 10,5% ao mês. "É um crescimento expressivo, e é um crescimento que vem depois do único ponto negativo do ano. É um retorno, um rebatimento desse ponto negativo, que foi o de junho”, afirmou Cristiano Santos, gerente da pesquisa do IBGE.

Segundo ele, o setor tem sido sustentado por fatores como a expansão do crédito a pessoas físicas, a queda na taxa de inadimplência, a elevação do número de empregos no mercado de trabalho e o aumento da massa de rendimentos em circulação na economia. No varejo ampliado - que inclui as atividades de material de construção, veículos e atacado alimentício -, o volume vendido subiu 0,1% em julho ante junho, já descontadas as influências sazonais.

A gestora de recursos XP Investimentos prevê que as vendas do segmento possam crescer até 4,5% em 2024, após o avanço de 2,4% registrado em 2023. "As concessões de crédito e a renda real disponível às famílias permanecerão em níveis elevados no curto prazo, reforçando nossa visão otimista para o consumo das famílias”, avaliou o economista Rodolfo Margato, da XP, em relatório.

Para o economista Homero Guizzo, da corretora Terra Investimentos, a economia está operando "sem ociosidade”. “Isso mantém pressão no BC para agir de forma a desacelerar a economia e esfriar a demanda”, afirmou ele. Em julho, o principal impacto positivo sobre a média global do varejo partiu da atividade de supermercados, com alta de 1,7% nas vendas em relação a junho.

Outro destaque foi o aumento de 2,1% nas vendas do grupo "outros artigos de uso pessoal e doméstico”, que inclui as lojas de departamento e que vem mostrando recuperação após um ano de 2023 considerado difícil, disse o pesquisador do IBGE.

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