Vicentinho destacou que não há, nas galerias, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), organização da qual já foi presidente. "A CUT não está lá. Estas outras centrais nunca me apoiaram pra nada mesmo. Meu compromisso é com o trabalhador."
O presidente da CUT, Arthur Henrique, participou ontem da comissão geral defendendo um mínimo acima do proposto pelo governo. Na votação, porém, não há manifestantes com cartazes ou camisas da central.
O relatório de Vicentinho, além de manter o valor de R$ 545, fixa até 2015 a política de reajuste com base no acordo firmado entre o governo Lula e as centrais em 2007. Por esta fórmula, todo ano, o mínimo será reajustado pela inflação do ano anterior mais o crescimento da economia registrado dois anos antes.
Um ponto questionado em plenário é que o projeto do governo prevê que no período no qual a política estará em vigor o reajuste do mínimo poderá ser feito por decreto presidencial. O artigo provocou questionamento até de deputados da base aliada, como Silvio Costa (PTB-PE), mas foi mantido por Vicentinho. O presidente do PPS, Roberto Freire (PE), já anunciou que irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) se for mantida esta parte do texto.
Irritação
As vaias e os protestos dos centenas de sindicalistas que ocupam as galerias da Câmara provocam irritação dos deputados. Com bandeiras da Força Sindical, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), os sindicalistas vaiam os parlamentares que defendem a proposta do governo, de R$ 545, e aplaudem quem pede um valor maior para o salário mínimo.
Por volta das 16h, a irritação chegou aos microfones. "É preciso tomar alguma providência, isso aqui não é a casa da mãe Joana", reclamou um parlamentar. O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), saiu em defesa dos sindicalistas. Ele pediu que a frase fosse retirada dos autos e defendeu o direito de manifestação de quem acompanha a sessão.