Economia

Vicentinho diz que ainda será aplaudido por mínimo

Relator do projeto propõe valor de R$ 545 e uma política de reajuste do salário até 2015

Vicentinho diz que ainda será aplaudido por mínimo
Vicentinho diz que ainda será aplaudido por mínimo Foto : Renata Araújo / ABr / CP
Um dos mais vaiados pelos sindicalistas na sessão desta quarta-feira na Câmara, o relator do projeto do salário mínimo, Vicentinho (PT-SP), minimizou as críticas. Ele apresentou um parecer mantendo o texto do governo, com o mínimo em R$ 545 e uma política de reajuste até 2015. "Tenho certeza que essas vaias vão se transformar em aplausos em janeiro do ano que vem, quando o salário mínimo vai para R$ 616", disse ele ao deixar a tribuna.

Vicentinho destacou que não há, nas galerias, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), organização da qual já foi presidente. "A CUT não está lá. Estas outras centrais nunca me apoiaram pra nada mesmo. Meu compromisso é com o trabalhador."

O presidente da CUT, Arthur Henrique, participou ontem da comissão geral defendendo um mínimo acima do proposto pelo governo. Na votação, porém, não há manifestantes com cartazes ou camisas da central.

O relatório de Vicentinho, além de manter o valor de R$ 545, fixa até 2015 a política de reajuste com base no acordo firmado entre o governo Lula e as centrais em 2007. Por esta fórmula, todo ano, o mínimo será reajustado pela inflação do ano anterior mais o crescimento da economia registrado dois anos antes.

Um ponto questionado em plenário é que o projeto do governo prevê que no período no qual a política estará em vigor o reajuste do mínimo poderá ser feito por decreto presidencial. O artigo provocou questionamento até de deputados da base aliada, como Silvio Costa (PTB-PE), mas foi mantido por Vicentinho. O presidente do PPS, Roberto Freire (PE), já anunciou que irá ao Supremo Tribunal Federal (STF) se for mantida esta parte do texto.

Irritação

As vaias e os protestos dos centenas de sindicalistas que ocupam as galerias da Câmara provocam irritação dos deputados. Com bandeiras da Força Sindical, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), os sindicalistas vaiam os parlamentares que defendem a proposta do governo, de R$ 545, e aplaudem quem pede um valor maior para o salário mínimo.

Por volta das 16h, a irritação chegou aos microfones. "É preciso tomar alguma providência, isso aqui não é a casa da mãe Joana", reclamou um parlamentar. O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), saiu em defesa dos sindicalistas. Ele pediu que a frase fosse retirada dos autos e defendeu o direito de manifestação de quem acompanha a sessão.

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