Estudo aponta que 47,9% dos municípios gaúchos não usam a internet na recuperação de aulas
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Estudo aponta que 47,9% dos municípios gaúchos não usam a internet na recuperação de aulas

Famurs pesquisou a situação das escolas de ensino básico de 430 municípios diante da pandemia de Covid-19

Por
Correio do Povo

Famurs entrevistou secretarias de educação de 430 cidades gaúchas

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Uma pesquisa realizada pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), divulgada nesta quinta-feira, mostrou que 47,9% de 430 prefeituras gaúchas não usaram a internet como meio de enviar atividades escolares aos estudantes durante a pandemia de Covid-19. Desde a suspensão das aulas, em 23 de março, as escolas destes municípios fazem as entregas de lições de diferentes maneiras: "transporte passando nas localidades, deixando os documentos em setores da prefeitura, distribuição por colegas próximos, bem como professores que residem nas mesmas localidades que os alunos.

Já outra parte das escolas gaúchas, que representam 37,3% do total, deixam as atividades na própria instituição para que os alunos coletem de forma alternada, a partir de um cronograma que evita aglomerações. As escolas que enviam conteúdos escolares de forma online, usando a internet, são as minores e aparecem na pesquisa totalizando 14,9%. O estudo, no entanto, não detalha se a tecnologia é deixada de lado pela falta de acesso à internet pelos alunos do ensino básico. 

O governador Eduardo Leite anunciou oficialmente, em videoconferência nesta quinta-feira, que os estudantes da rede pública terão internet em celular para acesso às aulas virtuais durante a pandemia de Covid-19. A proposta que ainda está sendo estudada, conforme o chefe do Executivo, é que o retorno às salas de aulas ocorra de forma escalonada. Ou seja, intercaladas com aulas à distância. A intenção do governo é que os estudantes não percam o vínculo com a escola e os colegas enquanto não há total segurança para o retorno integral e presencial das aulas. 

Sobre o envio de atividades remotas, domiciliares e complementares, a pesquisa identificou que 68,4% dos municípios optaram por esta alternativa desde o início da suspensão das aulas no final de março; 25,5% estão fazendo este encaminhamento a partir do mês de maio e 6% vão reorganizar o calendário escolar após o retorno às aulas, previsto para ocorrer de forma alternada em junho.

Quanto a validação das atividades remotas, domiciliares e complementares encaminhadas, 18,5% dos municípios pretendem validar todos os dias suspensos do calendário letivo. Já 31% das cidades pretendem validar alguns dias e horas-aulas, e outros 42% pensam em recuperar parcialmente. As cidades que pretendem recuperar todos os dias letivos no retorno às atividades representa apenas 9% do total.

Conforme a Coordenadora de Educação da Famurs, Fátima Ehlert, é importante destacar que está para homologação o Parecer 05/2020 do CNE que prevê a Reorganização do calendário escolar e a possibilidade de cômputo de atividades não presenciais para fins de cumprimento da carga horária anual, em razão da pandemia da Covid-19 como também a MP 934/2020 que flexibiliza os dias letivos, mas mantém as horas-aulas.

“Estes dois ordenamentos legais darão amparo a reorganização do calendário em cada um dos 497 municípios do Rio Grande do Sul que terão suas propostas validadas pelos pareceres exarados pelo Conselho Municipal de Educação para os municípios que tem sistema próprio e pelo Ceed-RS para os que ainda não são sistema”, ressalta Fátima Ehlert.