Jessica Wade luta contra falta de diversidade na área da ciência
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Jessica Wade luta contra falta de diversidade na área da ciência

Física participou de palestra nos 85 anos da Ufrgs sobre aumentar visibilidade das mulheres no meio científico

Por
Eduardo Amaral

Doutora em física escreve perfis de mulheres na Wikipedia

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A falta de diversidade na área da ciência foi o tema escolhido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) para numa das atividades para comemorar os seus 85 anos. O destaque foi a presença da física britânica Jessica Wade, que ficou conhecida por dedicar-se a escrever a biografia de mulheres cientistas no Wikipédia.

Jessica palestrou para uma plateia composta majoritariamente por mulheres, um contraste com a realidade do mundo da ciência tanto na Inglaterra quanto no Brasil. Doutoranda na faculdade Imperial College de Londres, mesmo local onde cursou a graduação e o mestrado, ela diz que desde os tempos de adolescente já notava a diferença de tratamento em relação a homens e mulheres no meio científico. “Eu notei na escola que existia poucas meninas estudando física ou engenharia, mesmo em uma escola somente de meninas. Nas aulas de artes, eram muitas.”

Incomodada com este cenário, ela viu a situação se agravar conforme os anos de ensino foram passando, e por isso resolveu escrever as biografias de mulheres cientistas, trabalho ao qual se dedica diariamente. “Comecei porque tem que incrementar a visibilidade na ciência para um público mais amplo e o Wikipédia é o quinto site mais acessado”, conta ela que a cada dia atualiza uma página com a história de uma dessas cientistas.

A cientista inglesa acredita que a escassez de material sobre as mulheres é resultado de quem escreve sobre essas informações. “Pesquisas já mostram que não há diferenças cognitivas entre homens e mulheres, mas existe uma grande vácuo na Wikipédia porque 90% das pessoas que escrevem são homens brancos dos Estados Unidos.”

O pró-reitor de pesquisa, Rafael Roesler, diz que a escolha em trazer Jessica para palestrar deve servir como um incentivo para as estudantes da própria UFGRS. “Ela consegue inspirar com esse pensamento as nossas jovens a acreditarem que também podem escolher  um caminho na física, matemática, engenharia e tecnologia.” Roesler diz ainda que a britânica também ajuda a instituição a avaliar suas práticas. “Ela está aqui para nos ajudar a refletir e pensar. A gente sempre tem coisas para discutir, refletir e talvez aprimorar, mas as universidades federais tem hoje cerca de 70% dos estudantes de baixa renda com políticas de ações afirmativas e de inclusão que eu acho que vão mudar o perfil sócio-econômico do Brasil com o tempo.”