Ensino

MEC apresenta propostas para o Novo Ensino Médio

Além de revelar resultados da Consulta Pública sobre o NEM, governo federal sugere mudanças para atualizar e qualificar a oferta no país

Secretaria Estadual de Educação estima que 110 mil alunos não estão em sala de aula
Secretaria Estadual de Educação estima que 110 mil alunos não estão em sala de aula Foto : Juliano Jaques / CP Memória

Ampliação da carga horária para a Formação Geral Básica (FGB), redução e mudança na nomenclatura dos Itinerários Formativos e manutenção do conteúdo do Exame Nacional do Ensino Médio 2024 são mudanças sugeridas pelo Ministério da Educação (MEC) para o Novo Ensino Médio (NEM). Depois de avaliada pelo setor educacional e órgãos normativos, a sugestão do MEC deverá compor uma proposição final, que será enviada ao Congresso Nacional até 21/8.

As possíveis modificações foram apresentadas nesta semana (em 7/8), em Brasília, pelo ministro da Educação, Camilo Santana, ao divulgar sumário com os principais resultados da Consulta Pública para Avaliação e Reestruturação da Política Nacional de Ensino Médio, que ocorreu entre os dias 9/3 e 6/7. O documento indica os principais pontos da Consulta Pública, divididos em 12 núcleos de resultados: 

  • Carga Horária: Críticas à redução da Formação Básica; e pedido de expansão do tempo integral.
  • Organização Curricular: Clareza e atenção aos diferentes contextos.
  • Enem: Maioria aponta para a priorização da FGB no exame.
  • Equidade: Preocupação com o impacto das mudanças; e necessidade de orientações, para assegurar equidade e inclusão.
  • EAD: Resistência, da maioria, pela modalidade a distância.
  • Infraestrutura: Importância de investimentos para melhoria.
  • Educação Profissional e Tecnológica: Investimentos e articulação com o Ensino Médio.
  • Valorização dos Professores: Demanda pela revogação das diretrizes curriculares para licenciaturas; e criação de programa de formação continuada.
  • Política de Permanência: Destaca-se o pleito pela criação de uma bolsa e/ou poupança para estudantes vulneráveis. 
  • Tempo Integral: Ênfase na necessidade de apoio federal.
  • Avaliação: Criação de repositório de boas práticas estaduais; e comitê gestor nacional. 
  • MEC: Reforço como interlocutor com outras entidades e atores envolvidos no NEM. 

Com base nisso, o MEC propôs recompor a carga horária da Formação Geral Básica para 2,4 mil horas. Pode haver exceção na oferta de cursos Técnicos de 800 e mil horas, fixando, nesse caso, um mínimo de 2,2 mil horas de FGB. E para os cursos Técnicos de 1,2 mil horas, a prioridade será ampliar a jornada escolar via Programa Escola em Tempo Integral.

Sobre os Itinerários Formativos, o MEC sugere que sejam chamados de “Percursos de Aprofundamento e Integração de Estudos”. Também propõe redução, de cinco para três: Linguagens, Matemática e Ciências da Natureza; Linguagens, Matemática e Ciências Humanas e Sociais; e Formação Técnica e Profissional. Ainda assinala que precisam ser definidos componentes curriculares cujos saberes sejam contemplados na oferta das áreas do conhecimento e que integrem a composição da FGB.

A respeito do Enem 2024, considera que continue composto pela FGB. Para os anos seguintes, entende que pode ser debatido com a sociedade, no contexto da elaboração do novo Plano Nacional de Educação (PNE). Indica vedação de Educação a Distância (EAD) para a FGB, mas com autorização para até 20% da oferta na Educação Profissional Técnica.

“É importante frisar que essa é a proposta do MEC, fruto da Consulta Pública. Não queremos construir nada sem diálogo. Queremos elaborar um documento de consenso, em relação ao aperfeiçoamento e às mudanças necessárias para melhorar a qualidade do Ensino Médio no Brasil”, explica o ministro. As propostas do MEC serão expostas às Comissões de Educação da Câmara dos Deputados e do Senado, para contribuir com o relatório final.