Secretários de Educação criticam defesa de suspensão de aulas presenciais no Brasil

Secretários de Educação criticam defesa de suspensão de aulas presenciais no Brasil

Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) diz que é preciso priorizar a educação

AE

Em São Paulo, 114 municípios barraram o retorno dos colégios estaduais nas últimas semanas

publicidade

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) criticou por meio de nota nesta terça-feira, o que chamou de "defesa da suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país". A manifestação do Consed ocorre um dia após o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) pedir a suspensão do funcionamento das escolas, entre outras medidas, para conter o avanço da pandemia no Brasil.

O conselho que reúne os secretários estaduais de Educação pondera que a maioria das escolas brasileiras, especialmente na educação pública, está fechada há quase um ano, "com graves prejuízos para aprendizagem e para os aspectos socioemocionais".

Diante desse contexto, o Consed sugere que comitês científicos, autoridades sanitárias e gestores educacionais definam, "localmente, com serenidade, sobre o modelo organizacional de ensino nas escolas, com segurança para estudantes e profissionais, observando os possíveis prejuízos educacionais que podem penalizar milhões de estudantes brasileiros".

Presidente do Consed, Vitor de Angelo diz que é preciso priorizar a educação e não se deve pensar o fechamento das escolas de um ponto de vista nacional. "Se algum comitê local avaliar que a escola foi determinante para o aumento do contágio, ali a escola deve fechar. Mas generalizar de antemão, defendendo a escola fechada, faz perder nuances regionais", diz ele, que é secretário estadual no Espírito Santo.

Na segunda-feira, com o aumento de casos da Covid-19 em todo o País e alta ocupação de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), os secretários de Saúde defenderam a adoção imediata de "lockdown" nos Estados em que a ocupação dos leitos de Covid-19 tenha alcançado mais de 85%, um toque de recolher nacional e a suspensão do funcionamento das escolas. Os gestores da saúde dizem que o Brasil enfrenta o pior momento da epidemia e criticam a falta "de uma condução nacional unificada e coerente" para a crise.

Veja Também

Como o Estadão mostrou, o agravamento da pandemia no País tem levado municípios e Estados a suspenderem ou adiarem o retorno presencial às escolas. No Estado de São Paulo, 114 municípios barraram o retorno dos colégios estaduais nas últimas semanas. Estados como Pernambuco, Paraíba, Piauí e Paraná também decidiram suspender a volta às aulas neste momento diante da crise sanitária.

Na manhã desta terça-feira, o secretário estadual da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou à rádio CBN ser a favor de que as escolas sejam fechadas. O tema deverá ser discutido internamente. No Estado de São Paulo, as escolas foram consideradas serviços essenciais, como supermercados e farmácias. Isso significa que podem ficar abertas mesmo nas fases mais restritivas da quarentena.

O secretário estadual da Educação, Rossieli Soares, tem defendido que as escolas sejam as últimas a fechar e as primeiras a abrir, uma vez que o longo tempo de fechamento vem causando prejuízos às crianças e adolescentes. O governo estadual definiu um toque de restrição noturno, mas o comércio não essencial pode continuar operando em municípios que não estão na fase mais restritiva da quarentena, como a capital. Na segunda, o governador João Doria (PSDB) definiu igrejas também como atividades essenciais no Estado.


publicidade

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895