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Índios descumprem acordo e quatro se ferem em conflito no Norte do RS

Conflito entre indígenas em reserva em Ligeiro se arrasta há cerca de três anos

Por Acácio Silva

O acordo de paz selado no início de noite de quarta-feira entre grupos indígenas rivais da reserva de Ligeiro, em Charrua, no Norte do Estado, durou poucas horas. Um novo confronto registrado entre a noite de quarta e a madrugada de quinta deixou um saldo de quatro indígenas feridos a tiros.

Horas antes da briga, ocorreu a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre as lideranças dos dois grupos. O TAC foi assinado na Delegacia da Policia Federal de Passo Fundo pelo cacique Vilácio Candinho e pelo indígena Valdir Palhano, que lidera a oposição na reversa.

Pelo acordo mediado pela Policia Federal, Fundação Nacional do Índio (Funai) e pelo Ministério Público Federal, o cacique deveria permanecer no cargo, tendo como vice-cacique Florindo de Lima. Em 24 horas, os dois deveriam indicar lideranças, que não façam parte dos grupos em disputa, para fazer parte do cacicado.

O acordo também previa o retorno do cacique e de seu grupo à reserva. Há 40 dias, Vilácio Candinho e seus seguidores estavam fora da área indígena devido aos conflitos com o grupo de Valdir Palhano. De Passo Fundo, o cacique foi para a reserva, mas logo na chegada ocorreu uma briga, onde dois índios saíram feridos a tiros. Eles foram socorridos e levados para o hospital Santo Antônio, em Tapejara.

Polícia Federal faz buscas a armas

A Brigada Militar foi acionada, mas quando os PMs chegaram os dois índios já tinham sido medicados e deixado o hospital. Na madrugada e manhã desta quinta-feira, outros dois indígenas feridos foram medicados no hospital. Diante da situação, o cacique Vilácio Candinho e 40 indígenas do seu grupo deixaram novamente a reserva e voltaram para o viveiro municipal de Charrua, na localidade de Nossa Senhora de Lurdes, onde estavam acampados anteriormente.

Ontem, a Policia Federal, com apoio da Brigada Militar, promoveu uma operação na reserva em busca de armas, porém nada foi encontrado. O uso de armas no novo confronto reforça a suspeita da polícia de que os índios conseguiram escondê-las em matos da reserva, antes de chegada do aparato policial. O delegado Mário Luiz Vieira afirmou que a Polícia Federal segue monitorando a situação na reserva. Os autores dos disparos ainda não foram identificados.

Confrontos já duram três anos

O conflito entre os dois grupos se arrasta desde 2011, quando da reeleição do cacique. Os opositores liderados por Valdir Palhano contestam o resultado da eleição. O arrendamento de áreas da reserva é outro ponto de divergência. O coordenador da Funai na reserva, Hélio Adão Kosikoski disse que tudo que poderia ser feito para que a paz reinasse entre os grupos foi feito. O cacique Vilácio Candinho ainda tem mais cinco meses de mandato.

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