Os transplantes renais, porém, aguardam a finalização de análises de compatibilidade genética para a escolha dos beneficiados. Os procedimentos devem ocorrer na tarde desta segunda-feira. Os órgãos foram removidos no domingo por uma equipe formada por três médicos e um enfermeiro vinculados à Central de Transplantes do Rio Grande do Sul. O coordenador da Central, Eduardo Elsade, ressaltou que existem cerca de 2,8 mil gaúchos a espera de doadores em lista de espera, admitindo que a maioria necessita de transplante renal. Lembrou que o RS vem realizando, em média, 100 transplantes por mês. A meta é incrementar os procedimentos mensais em 50% ainda em 2010.
“Gratidão dos pacientes e da sociedade gaúcha aos familiares dos jovens e a todos os profissionais envolvidos na captação de órgãos”, postou Elsade, em seu Twitter, por volta das 12h. Segundo ele, gestos como os dos familiares de Vanessa e Uiliam normalmente impulsionam novas doações.
O Brasil possui hoje um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. Com 548 estabelecimentos de saúde e 1.376 equipes médicas autorizados a realizar transplantes, o Sistema Nacional de Transplantes está presente em 25 estados do país, por meio das Centrais Estaduais de Transplantes. Para ser um doador, não é necessário fazer nenhum documento por escrito. “Basta que a família esteja ciente do desejo”, frisou. Assim, quando for constatada a morte encefálica do paciente, uma ou mais partes do corpo que estiverem em condições de serem aproveitadas poderão ajudar a salvar vidas.
Elsade disse que alguns órgãos podem ser doados em vida: parte do fígado, um dos rins e parte da medula óssea. A recusa de familiares em autorizar a doação de órgãos do paciente com morte cerebral é uma dificuldade histórica enfrentada na área de transplantes no Brasil. No primeiro semestre, dos 3.421 potenciais doadores identificados, 809 não tiveram seus órgãos extraídos por recusa de parentes.