Geral

Órgãos de vítimas de acidente são transplantados

Duas pessoas que estavam na lista de esperam foram beneficiadas nesta segunda-feira

O ato solidário dos pais dos jovens Vanessa Bastos Tauchert, de 15 anos, e Uiliam da Silva Simoni, de 20 anos, que tiveram morte cerebral diagnosticada no final de semana, possibilitará a preservação de quatro vidas. Mesmo enfrentando a dor da perda dos filhos em consequência de um acidente de trânsito ocorrido em Bagé, os familiares decidiram doar os órgãos, atendendo ao desejo manifestado pelos filhos, em vida. Os fígados de Vanessa e Uiliam foram implantados com sucesso em duas pessoas que se encontravam em lista de espera. Os procedimentos, realizados em hospitais da Capital, foram concluídos nesta segunda-feira.

Os transplantes renais, porém, aguardam a finalização de análises de compatibilidade genética para a escolha dos beneficiados. Os procedimentos devem ocorrer na tarde desta segunda-feira. Os órgãos foram removidos no domingo por uma equipe formada por três médicos e um enfermeiro vinculados à Central de Transplantes do Rio Grande do Sul. O coordenador da Central, Eduardo Elsade, ressaltou que existem cerca de 2,8 mil gaúchos a espera de doadores em lista de espera, admitindo que a maioria necessita de transplante renal. Lembrou que o RS vem realizando, em média, 100 transplantes por mês. A meta é incrementar os procedimentos mensais em 50% ainda em 2010.

“Gratidão dos pacientes e da sociedade gaúcha aos familiares dos jovens e a todos os profissionais envolvidos na captação de órgãos”, postou Elsade, em seu Twitter, por volta das 12h. Segundo ele, gestos como os dos familiares de Vanessa e Uiliam normalmente impulsionam novas doações.

 O Brasil possui hoje um dos maiores programas públicos de transplantes de órgãos e tecidos do mundo. Com 548 estabelecimentos de saúde e 1.376 equipes médicas autorizados a realizar transplantes, o Sistema Nacional de Transplantes está presente em 25 estados do país, por meio das Centrais Estaduais de Transplantes. Para ser um doador, não é necessário fazer nenhum documento por escrito. “Basta que a  família esteja ciente do desejo”, frisou.  Assim, quando for constatada a morte encefálica do paciente, uma ou mais partes do corpo que estiverem em condições de serem aproveitadas poderão ajudar a salvar  vidas.

Elsade disse que  alguns órgãos podem ser doados em vida:  parte do fígado, um dos rins e parte da medula óssea. A recusa de familiares em autorizar a doação de órgãos do paciente com morte cerebral é uma dificuldade histórica enfrentada na área de transplantes no Brasil. No primeiro semestre,  dos 3.421 potenciais doadores identificados,  809 não tiveram seus órgãos extraídos por recusa de parentes.


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