Após quatro horas de paralisação, os ônibus da empresa Tinga, que atendem parte da zona Sul de Porto Alegre, voltaram a circular na manhã desta quinta-feira. Os rodoviários, que estava mobilizados por conta de demissões de cobradores e motoristas, liberaram os coletivos para transportar os passageiros que não conseguiram sair da Restinga.
No começo da manhã, os rodoviários impediram a saída de ônibus da garagem da Tinga, localizada na rua Antônio Onofre da Silveira, no bairro Restinga Velha. Por conta da paralisação, a Empresa Pública de Transporte (EPTC) autorizou no primeiro momento que outras empresas assumissem as linhas e permitiu que os lotações transportassem passageiros em pé.
Perseguição e demissões
O representante sindical na empresa, Maurício Barreto, relatou perseguição aos trabalhadores da companhia. "Estamos lutando pelo nosso trabalho, pela nossa condição. Pais de família e pessoas perto da aposentadoria estão sendo demitidos. Vamos segurar os coletivos até a metade da manhã para que garantam o dia trabalhado. Além disso, pretendemos entrar com uma ação no Ministério Público com uma lista de funcionários que estão sendo perseguidos e desligados da função", explicou em entrevista a Rádio Guaíba.
Barreto afirmou ainda que os rodoviários "irão assumir a luta por melhorias no transporte público" e prometeu uma nova paralisação na segunda-feira. "Nós vamos provar que este processo de concessão é fraudulento. Eles (empresários do transporte) fazem o que bem entendem com a população e com os trabalhadores. Faremos uma nova paralisação até a reintegração dos colegas demitidos", avisou.
Segundo Barreto, funcionários da Tinga já foram testemunhas de situações constrangedoras nos ônibus da empresa. "Todos os finais de semana, no primeiro horário, entra um grupo de jovens que costuma frequentar bailes funk. São vândalos que usam drogas, quebram o ônibus e até praticam sexo dentro do veículo. Quem achar que é mentira poderá encontrar muita gente que sabe que é verdade", acrescentou.
O líder sindical relatou também que um colega foi demitido apenas por pedir mais segurança. "Nós fizemos um levantamento, colhendo assinaturas de testemunhas para que a gente levasse toda esta documentação até a Brigada Militar. A iniciativa foi descoberta pela empresa, o funcionário foi questionado e, em seguida, demitido por conta disso. Ele tinha nove anos de casa, não queria sair e não faz parte do sindicato. As empresas não querem que todos saibam o que está acontecendo. Querem encobrir tarifas altas e sucateamento da frota", completou Barreto.
Ônibus da Tinga voltam a circular em Porto Alegre após paralisação
Rodoviários estavam mobilizados por conta de demissões de funcionários