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Ação da EPTC no Salgado Filho gera polêmica

Motoristas reclamam da abordagem dos agentes no aeroporto

Nunes foi multado por ficar dez minutos dentro do terminal, no térreo
Nunes foi multado por ficar dez minutos dentro do terminal, no térreo Foto : Samuel Maciel
A controvérsia reina quando o assunto é a atuação dos agentes de fiscalização da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) no Aeroporto Salgado Filho. Diariamente (com exceção dos finais de semana), quatro agentes circulam pelos dois terminais, levantando uma média de 20 multas por dia e pelo menos seis solicitações de guincho. As multas são mais frequentes nas 50 vagas gratuitas de 30 minutos e na área de embarque e desembarque, onde o tempo permitido é apenas aquele em que o passageiro entra ou sai do veículo.

Há poucas dúvidas entre motoristas, transeuntes e trabalhadores do aeroporto de que os fiscais atuam no cumprimento da lei. As reclamações, entretanto, são mais voltadas à abordagem dos agentes, apontados como “pouco educados e até “truculentos”.

Em dois momentos, a equipe de reportagem do Correio do Povo observou a atuação de um dos funcionários da EPTC. No primeiro, na janela de uma camionete Hyundai, o fiscal olhou para o condutor estacionado na área de embarque e desembarque e disparou: “É para sair, e agora”. Minutos depois, no mesmo local, o mesmo agente deixou no parabrisas de um Peugeot, com placas de Cachoeirinha, a multa de R$ 84 por estacionamento irregular. O proprietário, Felipe Nunes, que havia ficado dez minutos dentro do terminal, no térreo, para buscar o irmão e os sobrinhos, foi buscar explicações.

Na frente da reportagem, os dois azuizinhos explicaram calmamente que a tolerância no local onde a multa foi lavrada é apenas o tempo em que o passageiro entra ou sai do veículo e que o estacionamento no local, seja por cinco minutos apenas, é considerado infração. “Por esta eu não esperava. Não devia ter me arriscado e devia ter pago os R$ 10 do estacionamento privado”, reconheceu o jovem.

Os taxistas do Salgado Filho também não poupam críticas ao que chamam “falta de trato” dos agentes de trânsito. Alecsandro Alves, motorista da Cootaero, diz que há casos de multas aberrativas, como as anotadas quando o taxista deixa a área de contenção de veículos para a parte superior do aeroporto até a fila de embarque. “Somos multados por andar sem cinto 3 ou 4 metros”, cita.

Ações ocorrem dentro da lei

O gerente de fiscalização de Transporte da EPTC Zigomar Galvão reconhece que a reação da população aos agentes da empresa no Aeroporto Salgado Filho é polêmica, mas reitera que eles agem rigorosamente dentro da lei. “Ocasionalmente, pode acontecer de o agente ter um comportamento que desagrada ao condutor e quando há excessos temos um procedimento de apurar e punir, com advertência, gancho ou demissão por justa causa”, salienta.

Galvão diz que as vagas públicas são ínfimas para a demanda de veículos que circula no aeroporto. “Além das 50 vagas de 30 minutos, o local tem mais 80 vagas de meio fio, sem limite de tempo. É pouco, e as pessoas se arriscam para não pagar na área privada”, afirma.

O gerente de fiscalização de Transporte defende que, em algumas situações, o agente precisa ter uma ação mais incisiva, em especial quando se dirige aos taxistas. “É muito comum os motoristas de táxi reclamarem da EPTC. Eu realmente acho difícil que estejam sendo multados por andar sem cinto 4 ou 5 metros. Seria um excesso de zelo do agente. Mesmo assim ele não estaria contrariando a lei, por que nós precisamos cobrar mais dos taxistas que devem entregar para a população um serviço absolutamente seguro. O taxista, se ligar o veículo sem afivelar o cinto, já está cometendo uma infração”, alerta Galvão.