Segundo os idealizadores da marcha de Porto Alegre, o ato público respeita os limites legais e não tem como objetivo fazer apologia à maconha, mas sim estimular o debate sobre política públicas sobre drogas lícitas e ilícitas, enfraquecer o crime organizado, além de reivindicar reformas nas leis sobre o consumo. Uma das experiências mais destacadas pelos manifestantes é a de Portugal, país que há dez anos descriminalizou o consumo da maconha, e reduziu o consumo de drogas entres os jovens, assim como outros índices de criminalidade.
“Deve ser feito dentro da lei e as autoridades não permitirão consumo e apologia à droga”, afirmou o promotor David Medina da Silva, após uma reunião com organizadores do evento na última sexta-feira. Já a Polícia Civil anunciou agentes disfarçados entre o público. "Teremos o mesmo esquema do ano passado, e sequer precisamos ingressar com um Habeas Corpus desta vez pois temos confiança das autoridades de que nossa manifestação é legítima”, afirmou Rafael Gil Medeiros, um dos líderes da Marcha na Capital.
Tarso abriu caminho para diálogo
No Rio Grande do Sul, o debate sobre a descriminalização ou regulamentação do consumo de maconha – modelo adotado por pelo menos 20 países – ganhou força com recentes declarações do governador Tarso Genro. "As pessoas terem tolerância com a cannabis sativa é diferente do que com a heroína. A maconha há especialistas que dizem que faz menos mal do que cigarro. Dizem. Eu nunca vi uma pessoa matar por ter fumado um cigarro de maconha", disse Tarso no mês passado em uma aula magna que proferiu no Salão de Atos da Ufrgs.
No dia 7, a Marcha da Maconha mobilizou milhares de pessoas em 40 países. No Brasil, 500 pessoas participaram da mobilização no Rio de Janeiro. Segundo a imprensa carioca, o grupo percorreu a orla carioca entoando palavras de ordem como "Ei, polícia, maconha é uma delícia" e ainda marchinhas de carnaval, como "Ô abre alas, que eu quero fumar, sou maconheiro não posso negar, Planta na Mente é quem vai falar".