“Entendo que houve realmente o dolo eventual. Na realidade, ele [Siwek] cometeu o crime com agravantes, já que estava embriagado, ultrapassou o sinal vermelho, invadiu a ciclofaixa, não socorreu a vítima e o mais grave de tudo, ainda jogou o braço no rio”, disse.
O acidente aconteceu por volta das 5h30, quando David se dirigia ao trabalho. Ele pedalava pela ciclofaixa de lazer instalada na Avenida Paulista quando foi atingido. Siwek fugiu do local. Mais tarde, ele se entregou à polícia e contou ter jogado o braço de David, que ficou preso no carro, em um córrego da Avenida Ricardo Jafet, na zona sul da cidade. Na última quinta-feira, ele foi solto após um pedido de habeas corpus. O ciclista recebeu alta do hospital na manhã desse sábado.
Ao lado do advogado, da mãe Antonia Ferreira dos Santos e das duas pessoas que o socorreram, David afirmou nesta terça que, apesar de ter perdoado Siwek, espera que ele seja punido com rigor pela Justiça. O estudante de publicidade e propaganda Thiago Chagas dos Santos, de 26 anos, e o coordenador de informática Agenor Pereira Junior, 41 anos, auxiliaram no resgate ao jovem.
“O sentimento que tenho por essa pessoa [Siwek] é realmente de pena. Perdoo ele sim. Se eu tiver a oportunidade de chegar para ele e olhar em seus olhos, vou perdoá-lo. Mas espero que a Justiça seja bem severa porque, na verdade, eu estava morto. Se não fosse o Thiago [Thiago Chagas dos Santos, uma das pessoas que o socorreram], eu não estaria vivo hoje. O Thiago me trouxe de volta à vida”, avaliou.
“Na hora que olhei, achei que ele [David] tivesse morrido. Comecei a ver pulso, respiração e não os senti. Vi que não tinha muito tempo porque ele estava perdendo muito sangue, pois estava sem o braço. Fiz respiração boca a boca e quando comecei a massagem cardíaca, vi ele se mexendo um pouco. Vi que o pulso voltou. Apertei o braço dele para parar de sangrar até que o socorro aparecesse”, contou Thiago.
David disse que pretende voltar a andar de bicicleta e a desenhar. Como é destro, revelou que já está treinando desenhar com a mão esquerda, mas que quando colocar a prótese, que será doada, acredita que voltará a desenhar com a mão direita também. “Meu foco é continuar a vida do jeito que ela era e voltar a trabalhar”. Ele também pretende criar uma associação de proteção aos ciclistas e espera receber ajuda das pessoas para poder começar imediatamente um tratamento de fisioterapia, previsto para começar na rede pública somente em setembro.