horas para que um produto seja entregue após passar pela verificação de diversos órgãos públicos no terminal de Porto Alegre.
O dado foi divulgado esta semana pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), que identificou a lentidão dos processos, com informações da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) referentes ao ano de 2012.
Segundo o especialista da Área de Competitividade Industrial e investimentos do Sistema Firjan, Riley Rodrigues, o Rio Grande do Sul perde muito mercado com a demora aeroportuária. “O Salgado Filho poderia triplicar sua capacidade de movimentação, caso os órgãos trabalhassem 24 horas. Das 176 horas totais, apenas 58 são úteis. No restante do tempo, o processo para liberação de carga fica parado”, explicou. “São 26 órgãos de 16 ministérios. Isso é excesso, pois muitos fazem a mesma coisa”, salientou.
A burocracia não é exclusividade de Porto Alegre e também é identificada em Guarulhos, Campinas e Manaus, além do Galeão, no Rio. O tempo médio de liberação desses aeroportos, incluindo o da capital gaúcha, é de 175 horas e um minuto, o que significa mais de uma semana, enquanto em outros terminais do mundo, o processo ocorre em menos de um dia. O Heathrow, em Londres, é o mais lento dos aeroportos internacionais analisados e o tempo médio chega a oito horas.
Riley observou que é impossível calcular as perdas para a economia do Brasil, pois há diferenças de valor e tipo de cargas. Porém, ele ressaltou que o prejuízo é enorme e reflete no consumidor final, que paga o preço da armazenagem e de toda a lentidão dos aeroportos. Fora isso, há grandes problemas para a competitividade.
Em Porto Alegre, produtos como calçados e artigos em couro estão entre os que mais passam pelo Salgado Filho. Esses materiais levaram, em 2012, em média, 57 horas e 25 minutos úteis e 175 horas em tempo corrido para serem liberados. Isso significa quase oito dias. Para equipamentos de tecnologia, o tempo é de 72 horas e 14 minutos, o que equivale a 216 horas em tempo corrido, o que leva quase dez dias. Já as cargas automotivas tem um tempo estimado de 49 horas e oito minutos (104 horas reais). “A Infraero poderia arrecadar mais e quem quisesse utilizar o serviço iria pagar mais barato”, afirmou Riley.
Para a Firjan, se o trabalho de liberação tivesse o tempo ampliado, os custos de armazenamento e movimentação no Galeão, que é o mais demorado, seriam 59% mais mais baixos que no Heathrow e 74% que em Singapura, por exemplo.