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Aeroviários do Rio Grande do Sul também descartam greve

Aeronautas haviam desistido da paralisação, mas trabalhadores de terra mantém movimento em quatro Estados

Uma assembleia organizada pela Federação Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil e o Sindicato dos Aeroviários de Porto Alegre decidiu cancelar a greve prevista para ocorrer no Aeroporto Salgado Filho a partir das 23h de quinta. Segundo dirigentes das entidades representantes dos funcionários que operam em terra, a última proposta das companhias aéreas de reajuste de 6,5% - o inicial oferecido foi de 3%, enquanto os sindicalistas reinvindicavam 13% - foi aceita.

No entanto, outros sindicatos da categoria decidiram manter o movimento nos terminais de Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Belo Horizonte, onde a paralisação começou às 17h30min. Segundo o presidente da Federação Nacional, o gaúcho Celso Klafke, já não há mais chance de a greve sair do papel no Rio Grande do Sul já que todas as entidades com representatividade optaram por cancelar o protesto. Transtornos, contudo, não são descartados já que as paralisações nos quatro aeroportos devem afetar a Capital.

A assessoria do Sindicato Nacional dos Aeroviários detalhou que há paralisação parcial de pessoal de pista (operadores, auxiliares, despachantes de mala, motoristas de trator) nos aeroportos do Galeão (Rio), Confins (Belo Horizonte), Fortaleza e Brasília.

Os aeroviários decidiram paralisar as atividades apesar de os aeronautas (categoria que trabalha dentro de aviões) terem decidido, durante a tarde, aceitar a proposta de aumento de 6,5% feita pelas companhias. A representação das categorias no País é complexa, uma verdadeira "sopa de letrinha" de siglas. A maior parte dos aeroviários está sob o guarda-chuva do Sindicato Nacional dos Aeroviários, ligados à CUT. No entanto, os trabalhadores de Recife, Guarulhos e Campinas são representados por sindicatos independentes, mas ligados à mesma central. Já os municípios de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo, com representações próprias, são ligados à Força Sindical.

As entidades tomaram decisões independentes. Manaus e Rio, por exemplo, aceitaram a proposta patronal inicial - de reajuste de 6,17%, equivalente à inflação pelo INPC - no início da semana. Assim, a paralisação deve afetar o aeroporto do Galeão, no Rio, mas não o Santos Dumont. Os funcionários do Galeão se dividem entre sindicatos da CUT, ligados ao SNA, e sindicatos ligados à Força Sindical. Estes últimos já fecharam acordo com as empresas aéreas nesta semana e não entrarão em greve.

Há atraso de voos, mas o check-in está operando normalmente e trabalhadores de outras categorias permanecem se revezando para manter o funcionamento normal. A presidente do sindicato, Selma Balbino, fazia manifestação nesta noite no aeroporto internacional do Rio, junto com o pessoal de pista, reunida do lado de fora da entrada. Eles vão reavaliar a situação a cada seis horas, para decidir se mantêm ou não a paralisação.

A Secretaria de Aviação Civil, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informaram que o número de atrasos nos aeroportos hoje foi 40% inferior ao mesmo dia da semana de 2010 (quinta-feira). Por volta de 20h30m, havia 7,1% de voos atrasados em Belo Horizonte, 4,5% em Brasília e 21% no Galeão, segundo o site da Infraero. Não havia atrasos em Fortaleza. Na quinta-feira antes do Natal de 2010, esse índice atingiu 38,01% das 2.031 partidas programadas.

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, determinou na véspera que pelos menos 80% dos aeronautas e aeroviários trabalhem nas vésperas do Natal e Ano Novo. Se a determinação não for cumprida, os sindicatos das duas categorias poderão pagar multa diária de R$ 100 mil.

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