Semanas antes, no dia 8 de outubro, o mesmo equipamento acessou os dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de três pessoas ligadas ao alto comando do partido, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo. A consulta aos dados fiscais de Ana Maria Braga está na página 433 do processo aberto pela Corregedoria da Receita Federal para investigar o episódio envolvendo Eduardo Jorge.
Procurada, a apresentadora negou qualquer relação tributária na região de Mauá. Segundo sua assessoria, a declaração de renda dela é feita na cidade de São Paulo, onde reside. Afirmou que está "surpresa" com isso e que pretende consultar os advogados para decidir o que vai fazer. Ela informou que nunca foi notificada de qualquer problema com a Receita Federal.
No processo da corregedoria, há a relação de pedidos feitos pelos próprios contribuintes à agência de Mauá para obter cópias das declarações de renda. O nome de Ana Maria Braga não aparece nesses pedidos. A Receita montou uma tabela com todos os acessos feitos, entre agosto e dezembro de 2009, a partir do computador de Adeildda e de mais duas servidoras consideradas suspeitas de violarem os dados dos tucanos. No quadro, há a data, o horário, o computador de origem e o CPF do contribuinte alvo do acesso da Receita.
O CPF de Ana Maria Braga aparece numa consulta em 16 de novembro por meio do computador identificado como "10.58.56.17", o mesmo usado para acessar as informações dos tucanos. Segundo a informação da Receita, os servidores acessaram a declaração de renda de 2009 da apresentadora do programa Mais Você.
A reportagem cruzou o CPF com o site da Receita, onde aparece "Ana Maria Braga Maffei", o nome completo da jornalista da Rede Globo. O número do CPF não é uma informação sigilosa, está à disposição dos contribuintes no site da Receita, mas a declaração de renda é protegida por sigilo constitucional.
Senha
A investigação da Receita e os depoimentos de pelo menos oito funcionários da agência revelam, no mínimo, um descontrole de senhas e acessos a dados considerados sigilosos de contribuintes brasileiros. As funcionárias investigadas no episódio das pessoas ligadas ao PSDB negam envolvimento com as consultas. Dona da senha que abriu essas informações, a servidora Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva alega que repassou o código a colegas de trabalho e diz que não tem responsabilidade no caso.
A oposição acusa setores do governo de violarem sigilos fiscais para fabricar um dossiê no período eleitoral. Os servidores do Fisco abriram, do mesmo computador, os dados sigilosos de Eduardo Jorge e de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado, todos vinculados ao alto comando tucano.