A ocupação ocorreu por volta das 10h e de forma pacífica, segundo a coordenadora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) do Rio Grande do Sul, Cleonice Back. “Estamos em um processo de negociação com o governo federal pela solução dos conflitos agrários aqui no Estado. E não temos saída. Estamos cansados de ir para Brasília. Agora estamos mobilizados para pedir socorro para a presidente Dilma”, enfatizou.
O dilema sobre a demarcação de terras para pequenos agricultores e indígenas é antigo no Estado. O clima na região Norte é ainda mais tenso. “Principalmente perto de Sananduva, onde os indígenas estão ocupando a área de agricultores familiares, que estão sendo expulsos e não tem sequer pra onde ir”, disse a coordenadora estadual da Fetraf.
Cumprindo agenda em Novo Hamburgo, Dilma participará, às 15h15min, na Escola Municipal Eugêio Nelson Ritzel, da cerimônia de inauguração de unidades de educação infantil. Às 17h, a presidente estará no Centro de Convenções Fenac para a formatura de alunos do Pronatec.
Impasse sobre terras gerou outros protestos
O impasse sobre a demarcação de terras gerou inúmeros protestos nos últimos meses. Em 30 de agosto, na abertura oficial da 36ª edição da Expointer, em Esteio, houve manifestações de pequenos agricultores no Parque de Exposições Assis Brasil. Os manifestantes levantaram bandeiras pedindo a revisão das demarcações de terras indígenas, durante o discurso de autoridades do setor e do governador Tarso Genro.
No mesmo dia, à tarde, um grupo de índios protestou em frente ao Palácio Piratini – sede do governo gaúcho – em Porto Alegre. Os indígenas teriam tentado invadir o prédio. A Brigada Militar (BM) utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão.
Dias depois, o Executivo anunciou 6 mil hectares de terras para o assentamento de agricultores e indígenas. Na ocasião, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, disse que a responsabilidade pela demarcação de terras é da União e o Executivo estadual está disposto a mediar a negociação entre as partes. "Isso conforme se der a deliberação do governo federal", explicou, na época. A proposta, no entanto, não foi bem recebida por líderes dos dois movimentos.