Os prejuízos previstos pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no RS (Fetag) chegam a R$ 3 bilhões. O número representa as perdas de até 40% dos pequenos produtores. Segundo o presidente da Federação, Elton Webber, as plantações de soja, frutas, verduras e arroz foram perdidas. Além disso, a produção leiteira foi afetada, porque as pastagens estão alagadas. O milho para alimentar o gado não pode ser plantado, o que também já afeta a pecuária de corte.
Para Webber, é necessário que o Ministério da Agricultura adie os prazos de plantio, porque muitas culturas não poderão ser plantadas, já que o solo está encharcado. Webber acredita que o governo federal precisa repensar os financiamentos, porque muitos galpões e mesmo casas financiadas foram destruídas. "Uma família de São Sebastião do Caí teve o galpão onde guardava verduras destruído, e o telhado caiu em cima do caminhão que eles usavam para vender os produtos. Eles ficaram só com a roupa do corpo", conta Webber.
É o caso também de moradores da cidade de Santo Cristo, no Noroeste gaúcho. Até a semana passada, os prejuízos na agricultura familiar somavam R$ 3 milhões. Com o vendaval da segunda-feira, mais de 1,5 mil árvores caíram, o que provocou a queda de 100 postes. A cidade ainda está sem energia elétrica. Isso impossibilita a ordenha das vacas, e a produção leiteira está parada. "Muitos tiveram que tirar leite com as mãos, para não prejudicar as vacas, mas foi tudo dado para os porcos, porque, como não dava para refrigerar, azedou", explica a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, Genoveva Haas.
Santo Cristo decretou situação de emergência devido aos prejuízos em toda a cidade. No total, entre problemas com prédios públicos, lavouras, pecuária e infra-estrutura viária, são R$ 13 milhões de reais em perdas, em uma cidade com população de 14 mil habitantes.
Agricultura familiar contabiliza R$ 3 bi em perdas com temporais
Pelo menos 40% dos produtores já foram afetados<br />