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Aids: risco de câncer aumenta com o déficit imunológico

Pesquisa foi realizada com 52.278 pacientes, entre 1998 e 2006

O enfraquecimento do sistema imunológico desempenha um papel essencial no risco de aparecimento de câncer nos pacientes soropositivos, segundo pesquisa francesa publicada nesta quinta-feira no portal da revista especializada Lancet Oncology.

Os resultados desta pesquisa, realizada com 52.278 pacientes acompanhados entre 1998 e 2006, demonstram que quanto mais pronunciado o déficit imunológico, mais aumento o risco de câncer, e isso independente dos outros fatores de risco eventuais.

Estas conclusões devem um diagnóstico e uma aplicação de tratamento precoce para as pessoas infectadas com o HIV, indicou a Agência Nacional francesa de Pesquisa sobre a Aids, que patrocinou este trabalho.

Desde o início da aplicação de multiterapias antirretrovirais, em 1996, os cânceres se tornaram a primeira causa da morte dos pacientes com HIV. Nestes pacientes, o risco de câncer é duas ou três vezes superior ao da população geral.

A pesquisa avaliou o surgimento de sete tipos de câncer entre pacientes infectados. Deste total, três estão na lista de doenças que definem a Aids (câncer de colo de útero, sarcoma de Kaposi e linfoma não hodgkiniano), contrariamente aos outros quatro (linfoma hodgkiniano, câncer de pulmão, fígado e reto).

O estudo frisou ainda determinadas particularidades. Por exemplo, o risco de câncer de útero diminui nas pacientes soropositivas que recebem um tratamento antirretroviral, independentemente do efeito dos tratamentos sobre a imunodepressão e sobre a multiplicação de vírus (carga viral) que pode ser detectado no sangue.

O dr. Dominique Costagliola, que dirigiu a pesquisa, disse que estes resultados reforçam o interesse do diagnóstico precoce do câncer de colo de útero nas mulheres soropositivas.