Segundo a filha Natasha, 21 anos, estudante de Ciências Contábeis também na Ufrgs, o pai interrompeu a faculdade de Química, na Pucrs, logo após o nascimento dela. “No ano passado, eu e a mãe demos a inscrição no vestibular da Ufrgs de presente de aniversário para ele, porque sabíamos a importância que isso tinha”, contou.
Zilmar conquistou a aprovação para o segundo semestre deste ano, assim as suas aulas começaram em setembro deste ano. “Ele estava muito empolgado e feliz. Era a realização de um sonho”, contou a filha. O sentimento era compartilhado com a mãe Maria da Graça e as duas outras irmãs, Raisca, de 18 anos, e Valeska, de 16 anos.
O estudante foi enterrado no cemitério Jardim da Paz, na Lomba do Pinheiro, com as presenças emocionadas de familiares e amigos. Zilmar passou mal em função de um edema pulmonar, que resultou num infarto, de acordo com Natasha, a primeira da família a ser avisada. Para ela, o tempo de atendimento talvez não tivesse feito diferença porque o ataque do coração foi fulminante. Natasha reconheceu que o campus fica afastado, o que justificaria a demora no atendimento. “O mais surpreendente é que ele nunca reclamou de dor ou apresentou estar doente”, contou.
Amigos e colegas tentaram prestar auxílio, como o de evitar que ele morresse sufocado, já que estava convulsionado. Assim, o colocaram de lado. “Tentamos virá-lo até que chegasse o atendimento, mas isso demorou muito tempo”, afirmou o colega Cristiano Rocha Born, do curso de engenharia ambiental, que estava na mesma aula. Os alunos tentaram acionar o ambulatório da Ufrgs, que estava fechado. Assim, foi chamado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que demorou cerca de 20 minutos para chegar até o local.
Além da faculdade, Zilmar trabalhava como funcionário público em uma escola da rede municipal em Porto Alegre. Muitos alunos e professores da instituição também estiveram presentes para prestarem as suas últimas homenagens.
Ufrgs divulga nota
A Ufrgs emitiu nesta terça-feira uma nota oficial sobre a morte do estudante ocorrida nessa segunda-feira durante uma aula de física, no Campus do Vale, bairro Agronomia. No texto, a universidade diz que, assim que soube do ocorrido, acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Infelizmente, mesmo com a prolongada tentativa de reanimação, o estudante veio a falecer, devido à gravidade do caso.