A psicóloga relata que as crianças estão precoces em tudo e que o suicídio pode ter sido praticado por impulso. Além disso, Maria Alice explica que atualmente as crianças também têm maior acesso a informações, a filmes e jogos violentos, o que pode ter contribuído para a tentativa de homicídio. Ela alerta aos pais para ficarem de olho em crianças com tendência à agressividade e naquelas que têm alguma deficiência física ou mental, mais propensas a sofrerem bullying.
"A agressividade faz parte da vida, mas as crianças precisam de um abiente familiar acolhedor", esclarece. A dica para os familiares é observar se há muitas queixas escolares contra a criança; se o menino ou menina está apático ou excessivamente desmotivado e, ainda, se não quer ir para a escola. São indícios de que a criança não está bem e de que pode estar precisando de ajuda profissional. Além disso, os pais devem acompanhar o que as crianças veem na televisão, com quem se relacionam via internet e com que tipos de jogos estão brincando.
Para a psicóloga, o ideal seria um maior acompanhamento dos professores na escola, mas ela reconhece que os educadores não têm recursos suficientes para dar uma atenção individual às crianças para que elas cresçam de uma maneira mais saudável. Maria Alice adverte, no entato, que o papel de educar é dos pais e que estes não podem delegar a obrigação à escola.
Professora passa bem
A professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, baleada por um aluno nessa quinta-feira, em São Caetano do Sul, no Grande ABC paulista, passa bem após cirurgia. Segundo o boletim do Hospital das Clínicas, para onde foi levada pela equipe do helicóptero Águia, a cirurgia para a retirada do projétil que estava alojada na região abdominal durou três horas.
Ela permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital e seu estado de saúde é estável. Ela está consciente e ainda não há previsão de alta, segundo o HC. Ela não corre risco de morte. A professora foi atingida por um tiro dado por seu aluno de 10 anos, dentro da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, que depois se suicidou com um tiro na cabeça.
Pichação
O muro de uma bica que fica ao lado da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, amanheceu pichado nesta sexta-feira. No local, foi escrita a frase "Criança chora, pais não ve [sic]". A arma que o menino usou para atirar contra a professora e se matar seria do pai.
Muro ao lado da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão amanheceu pichado / Foto: Julia Chequer / R7 / CP
Bullying
Um aluno do 5º ano, Lucas Henrique dos Santos Argolo Rodrigues, de 11 anos, disse à reportagem do portal R7 que tinha pouco contato com o menino que atirou na professora, mas, às vezes, eles brincavam juntos em um conjunto de prédios próximo ao local. "Ele era um menino quieto e tinha boas notas."
Apesar do bom comportamento na escola, segundo Lucas, as outras crianças do colégio chamavam o menino de manquinho, por causa de uma suposta deficiência nas pernas. "Às vezes ele chegava manco, às vezes não. Não sei, talvez para disfarçar. Eu acho que ele sofria bullying."
O crime
Nessa quinta-feira, por volta das 15h50min, o menino de dez anos entrou na sala de aula e atirou na professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38 anos. Em seguida, ele saiu da aula e disparou contra a própria cabeça. Naquele momento, estavam na sala de aula 25 alunos. Tanto o estudante quanto a professora foram socorridos com vida.
O aluno foi atendido no Hospital de Emergência Albert Sabin, na avenida Kennedy, em São Caetano, e teve duas paradas cardíacas. Ele morreu às 16h50min de ontem. A professora foi levada de helicóptero da Polícia Militar e, por volta das 17h40min, foi encaminhada ao Hospital das Clínicas.