Além da segurança, a partir da identificação do estudante, o objetivo da iniciativa, conforme a secretária municipal de Educação, Cleci Jurach, é padronizar a vestimenta, evitando a distinção entre os estudantes. "Um aluno cujos pais têm melhores condições financeiras pode usar uma roupa da moda, enquanto outro não. Isso gera conflitos e discriminação. É também uma ação de combate ao bullying", observa.
A distribuição dos uniformes - que totaliza R$ 6,7 milhões - será feita diretamente nas escolas e o lançamento oficial será no dia 27/2, na Escola Municipal Nossa Senhora do Carmo, no bairro Restinga, que também inaugura novo prédio. Nesta data, a rede municipal de Ensino dará início oficial ao ano letivo.
Os uniformes, masculino e feminino, serão divididos em três tipos de conjuntos: Kit Berçário, Kit Infantil e Kit Fundamental. O primeiro deles, entregue a cerca de 700 crianças de 0 a 1 ano e 11 meses de idade, conterá duas camisetas de manga curta, uma de manga longa, um moletom, uma calça de moletom, dois pares de meias e uma mochila. Na versão feminina, haverá um short-saia; e, na masculina, uma bermuda.
Nos outros dois conjuntos, além dos tamanhos, outras pequenas alterações ocorrerão. O Kit Infantil, que será entregue a cerca de 5 mil estudantes de 2 a 5 anos e 11 meses de idade, conterá as mesmas peças do Kit Berçário, com o acréscimo de um par de tênis, assim como o Kit Fundamental. Este último, que corresponde a mais de 39 mil dos conjuntos que serão distribuídos, também terá a substituição do moletom por uma jaqueta unissex; e, na versão feminina, ainda a substituição da calça de moletom por uma calça legging.
Estilistas criam modelos modernos
Com a ideia de agradar, especialmente, os pré-adolescentes, mais resistentes à padronização das vestimentas, a confecção dos uniformes escolares para os estudantes da rede municipal de Porto Alegre contou com a assessoria de estilistas de moda do Senac/RS. "Sabemos que haverá resistências, num primeiro momento", reconhece a secretária municipal de Educação, Cleci Jurach. "Mas fomos procurar especialistas para nos ajudar a elaborar um modelo mais moderno", explica ela, citando como exemplo o short-saia da versão feminina.
Para Cleci, as resistências iniciais serão vencidas com muito diálogo, já que o uso será obrigatório. "Ninguém será mandado para casa se estiver sem uniforme no primeiro dia de uso", garante Cleci, acrescentando que, caso o aluno continue insistindo em não usar, será mandado recado à família e, num terceiro momento, reunião com os familiares. "As escolas irão construir este hábito junto com as famílias", argumenta. A secretária assinala que a inovação trará segurança às escolas, que também terão sistema de videomonitoramento completo até o final do semestre.